sexta-feira, 30 de agosto de 2013

TESEU

O lendário herói grego Teseu derrotou o Minotauro, monstro que habitava o célebre labirinto mantido pelo rei Minos, na ilha de Creta.
Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e Etra, filha do sábio Piteu, rei de Trezena, na Argólida, onde nasceu. Egeu, antes de retornar a seu reino, escondera sua espada sob uma pesada rocha e recomendara a Teseu que só a procurasse quando fosse bastante forte para levantá-la. Com 16 anos, Teseu pôde realizar a façanha e foi ao encontro do pai. Decidido a livrar Atenas do pesado tributo devido a Creta, de sete moças e sete rapazes que eram devorados pelo Minotauro todos os anos, o herói seguiu para essa cidade como se fosse um dos jovens sacrificados. Antes de penetrar no labirinto do Minotauro, recebeu de Ariadne, filha de Minos, rei de Creta, um novelo de lã para marcar o caminho de volta. Assim, conseguiu matar o monstro e se salvar com os companheiros. Por descuido, o barco de Teseu retornou a Atenas com as velas pretas que indicavam luto. Desesperado, Egeu se jogou no mar. O herói assumiu então o governo: uniu os povos da Ática, com capital em Atenas, adotou o uso da moeda, criou o Senado, promulgou leis e instaurou a base da democracia.

Cumpridas essas tarefas, Teseu retomou à vida de aventuras. Depois de lutar contra as amazonas, uniu-se à rainha delas, Antíope. Por motivos políticos, casou-se com Fedra, que depois apaixonou-se por Hipólito, filho de Teseu com Antíope. Ao lado do amigo Pirítoo, raptou Helena de Esparta, mais tarde resgatada por seus irmãos Castor e Pólux, e desceu aos infernos para tentar raptar também Perséfone, esposa de Plutão, mas este os manteve presos em suas cadeiras durante um banquete. Anos depois, Teseu foi salvo por Hércules. Ao voltar a Atenas, Teseu encontrou-a dilacerada por lutas internas, pois os cidadãos o julgavam morto. Triste, desistiu do poder, mandou os filhos para a Eubéia e, amaldiçoando a cidade, exilou-se na ilha de Ciros, onde foi morto por seu primo Licomedes.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

MOUROS

Mouros são considerados os povos instalados na região da Península Ibérica durante a Idade Média. Os mais conhecidos eram os árabes e os berberes, mas existiam outros. Este termo foi empregado de forma especial no que se refere aos que se encontravam em áreas cristãs por motivo de cativeiro de guerra ou rendição de territórios. No início, os mouros eram aniquilados pelos povos que os conquistavam. Porém, após o século IX, eles passaram a ser poupados, alguns deles para serem utilizados no trabalho escravo, com maior concentração em Portugal.
 Já na Espanha, os mouros viviam sob a proteção da monarquia, sendo beneficiados com diversas medidas a seu favor. Desta forma, com o passar dos anos, começa a ser estabelecida uma convivência entre os mouros e os cristãos. Porém, os mouros tinham uma moradia separada do resto da população, que tinha o nome de mouraria. Na época, eles começaram a ser chamados de mudejares e formaram uma parte de grande importância da sociedade espanhola no fim da Idade Média. Os mouros que não aceitaram o batismo foram expulsos tanto da Espanha como de Portugal, os que ficaram, após serem batizados, ganharam o nome de mouriscos.
 Apesar de aparentemente terem concordado em seguir o cristianismo, os mouriscos, escondidos, mantiveram muitos de seus hábitos e rituais tradicionais como a comemoração do Ramadã, banhos e a circuncisão. Mas, essas manifestações acabavam sendo percebidas pelos espanhóis. Assim, em 1609, houve uma expulsão massiva dos mouriscos que continuavam com as práticas proibidas.
 Assim que os mouriscos foram expulsos do território espanhol, a economia do país demonstrou grande queda. Isso ocorreu, pois, os mouriscos, apesar de divergirem religiosamente dos espanhóis, representavam uma parcela da população com habilidades para o artesanato e eram ótimos agricultores, pois aplicavam técnicas aprendidas com várias gerações anteriores.
 Ao sentir o peso da expulsão dos mouriscos em seus bolsos, várias parcelas nobres da Espanha iniciaram um processo para evitar a saída de mais mouriscos. Só que isso não foi suficiente para combater os monarcas, que viam nos mouriscos um perigo à unidade da nação. Para a monarquia, eles eram inadaptáveis ao cristianismo, além de trazerem más influências externas de seu convívio com os estrangeiros.
 O êxodo dos mouriscos ocorreu em diversos países, entre eles, Turquia, Tunísia, Argélia, Itália e França. Uma nação em que deixaram vastos traços culturais e influências foi a Espanha. A presença deste povo pode ser observada em diversos setores da sociedade espanhola.
Felipe Araújo

terça-feira, 27 de agosto de 2013

DIREITOS DA MULHER NA GRAVIDEZ E PÓS PARTO

Sabemos que as mulheres gestantes possuem direitos garantidos como estabilidade no emprego, acesso à serviços de saúde e, no pós-parto, o direito à licença-maternidade, todos os direitos conferidos à gestante são reconhecidos nacionalmente e internacionalmente como na Declaração dos Direitos Humanos.
 Toda mulher tem direito a uma gravidez saudável e, considerando os direitos das mulheres no momento do parto, o mesmo deve ser seguro e atencioso. Nenhum hospital, público ou particular, pode negar atendimento à parturiente, caso tenha sido levada a um hospital particular, caso a família não tenha condições financeiras, a mulher e seu recém-nascido somente poderão ser transferidos para um hospital público depois que a vaga e o atendimento já estiver garantido na rede pública de saúde.
 No Brasil, nos últimos anos, tem diminuído a taxa de fecundidade devido ao aumento da escolaridade e da renda na população. Mesmo com menor índice de nascimentos, no país o parto é medicalizado e deve seguir padrões de procedimentos seja na área pública ou privada. Porém, na prática, boa parte das mulheres considerada pelos dados do IBGE como pardas ou negras e com baixa escolaridade, a assistência ao parto é de menor qualidade, principalmente, nos hospitais públicos.
 Frequentemente, as gestantes de renda baixa não têm direito de escolha sobre os procedimentos. No setor privado, por exemplo, 70% das mulheres não entram em trabalho de parto, são imobilizadas no leito e, durante o atendimento médico, recebem medicamentos para acelerar o nascimento do bebê. No setor público, as mulheres são encaminhadas para um parto natural, passam pelo chamado “trabalho de parto”, sofrem dores intensas e situações que podem comprometer a sua saúde e a do recém-nascido.
 A violência do parto ou a violência obstétrica se refere a uma intervenção na gestante ou na mulher que deu a luz recentemente e ao seu bebê sem consentimento da própria, desrespeitando a sua integridade psicológica, mental, sentimental e sua autonomia. Segundo dados da Fundação Perseu Abramo, sob o título “Mulheres brasileiras e Gênero nos espaços público e privado” registrou que uma em cada quatro mulheres sofrem algum tipo de violência no parto.
 Dentre os atos de violência, podemos destacar o de omissão médica, omissão de informação junto ao pai da criança e familiares, falta de analgésicos, negligência e procedimentos dolorosos. Tratar a mulher de maneira inferior, agressiva, não empática, zombando e submetendo a  procedimentos dolorosos não necessários, colocá-la em posições constrangedoras ou realizar exames sem consentimento são as principais práticas de violência praticadas nos hospitais, mais notadamente, nos hospitais públicos.
 Na maioria dos casos, a violência obstetrícia é associada à violência urbana, física e sexual. Infelizmente, há um mal senso comum em que maltratar uma puérpera é algo comum e que faz parte do procedimento. Em casos de maltratos à mãe e ao bebê, e omissão por parte do Conselho Regional de Medicina, a mãe e a família devem buscar reparação de direitos na justiça.
Fernando Rebouças

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

JOGOS OLÍMPICOS DE ESTOCOLMO - 1912

Suécia causa boa impressão, ganha elogios por Olimpíada e consegue internacionalizar o evento
Estocolmo foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 1912 no congresso do Comitê Olímpico Internacional, em Berlim, no dia 18 de maio de 1909. Única candidata a sede, a cidade sueca correspondeu às expectativas, promoveu uma competição organizada e realizou a mais brilhante edição até então.
Sem nenhuma exposição comercial paralela ao evento, como foi visto em edições anteriores, a Olimpíada disputou-se em menos de três meses e teve um alto nível de competitividade. Com a participação de 2.407 atletas de 28 países (recorde até então), os Jogos de Estocolmo-1912 tiveram 14 esportes no programa. Londres-1908 contou com 22 esportes, em sua maioria já extintos.
Para abrigar as principais provas do atletismo, os suecos construíram uma arena que mais lembrava uma fortaleza medieval, com seus tijolos de cor cinza-vulcânica. Com capacidade para 32 mil espectadores, o Estádio Olímpico foi planejado pelo arquiteto Torben Grut.
A boa impressão deixada por Estocolmo é vista por alguns especialistas como a grande responsável por manter aceso o Movimento Olímpico mesmo após a Primeira Guerra Mundial. Destruída, Antuérpia foi o palco da Olimpíada de 1920 sonhando poder repetir os feitos dos Jogos suecos.


Os cinco continentes
A Olimpíada de 1912 tornou-se a primeira a contar com representantes de todos os cinco continentes: Europa, América, Ásia, África e Oceania.
No meio das disputas, os organizadores inovaram ao promover uma competição artística, com provas de literatura, música, pintura e arquitetura. O vencedor da de literatura foi um certo Georg Horrod, que nada mais era que um pseudônimo do próprio Barão de Coubertin. Essas provas, porém, não valiam medalhas.
Outra novidade em Estocolmo foi a cronometragem eletrônica, utilizada pela primeira vez nas Olimpíadas. Foi também na capital sueca que surgiu um novo esporte, o pentatlo moderno, mescla de cinco modalidades: tiro, natação, esgrima, hipismo e uma corrida de 4.000 m, de onde sairia o "atleta perfeito". Essa Olimpíada foi também pioneira no sistema de som, instalado nas pistas e ginásios e até em algumas ruas.
A natação feminina entrou pela primeira vez na Olimpíada, tornando irreversível a participação das mulheres nos Jogos. O número de atletas do sexo feminino subiu de 37 para 48.
O encerramento dos Jogos de Estocolmo foi feito com um grande banquete de confraternização. O Barão de Coubertin, presidente do COI, satisfeito com o sucesso na organização, anunciou que gostaria de repetir o espetáculo em Berlim, em 1916. Porém, com a Primeira Guerra Mundial, o desejo de Coubertin precisou ser adiado.
Fonte:Uol Olimpiadas

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O CAÇADOR DE PIPAS

Algumas histórias são tão boas que MERECEM ser associadas à alguns tipos de arte, em casos específicos, as 6ª e 7ª arte. Literatura e Cinema andam juntos diversas vezes, muitas delas de forma agradável, outras nem tanto e existem ainda alguns casos de compatibilidade excelente.
 Quando alguns filmes são adaptações de livros, é interessante ler primeiramente o livro, pois, além de costumar a ser melhor, existe aquele momento quando se entra na sala de exibição que você vai imaginando cenas concordando ou não com o que lhe é apresentado. No meu caso, em relação ao Caçador De Pipas, eu fiz o contrário, assisti ao filme antes.
 Tinha ouvido algumas reclamações sobre a adaptação e também elogios, me guardei o direito de não me deixar levar…
 O filme É muito emocionante, assim como o livro, um acerto excelente. A história está toda ali, MESMO. Eu não mudaria nada no roteiro, só escolheria um ator mais opulento para caracterizar fidedignamente a imagem do Pai, como eu criei em minha cabeça, e vi o ator, que faz o protagonista adulto, com muito pouco carisma, mas não chega a ofender e depois pensei na ideia dele ser muito introspectivo ou parecer fraco, correspondendo muito com algumas ações do passado. No livro é perceptível que Amir, quando criança, é um garoto meio que chateado por não ser o centro das atenções do pai, a mãe morreu no parto e ele se sente um pouco responsável, acreditando que o pai também pense assim. Ele sente inveja de Hassan que recebe um certo afeto do pai e isso também influencia em seu modo de ser. Amir é o filho de família abastada e Hassan é o filho do empregado.
 Durante a infância de Amir, o filme expõe mesmo a condição de sentimento abalado e retraído dele, o que está presente no livro. O garoto age algumas vezes, revelando uma certa covardia, enquanto Hassan é exatamente o oposto. Um tem medo de ajudar o amigo em um momento de extrema necessidade, o outro aceita ofensas e tudo o mais pelo “amigo”. Depois de mais um exemplo de covardia e falsidade, Hassan e o pai se mudam, deixam a casa de Baba – pai de Amir. Os tempos em Cabul começam a ficar conturbados, a URSS invade o Afeganistão, instaurando um sistema opressor no povo e até mesmo as famílias ricas começam a sofrer com essa nova realidade.
 Pai e filho fogem para os Estados Unidos e lá iniciam uma nova vida, muito diferente da que eles tinham no país natal, mas os dois aprendem a conviver com as dificuldades e o passado de Amir começa a ficar um pouco remoto. Mesmo distante da terra em que nasceram, os dois não deixam sua cultura de lado e convivendo com outras famílias afegãs, o modo de vida afegão continua a prevalecer. Costumes e tradições são extremamente importantes para ambos. A vida segue, Amir se apaixona e se casa, o pai está doente, com câncer e a nova família vive em comunhão. O casal cuida de Baba até esse vir a falecer – essa parte, especialmente no livro, é extremamente emocionante. A doença e todo o sofrimento que é causado é muito bem retratado. A doença parece ser igual para todos, o câncer atropela da mesma forma seja quem for…
 Amir e Soraya Taheri, sua esposa, também afegã, vivem como um casal normal, mas não podem ter filhos. Ele é um escritor que vem tendo sucesso. A vida começa a seguir novamente um rumo tranquilo, mas o passado volta para cobrar uma atitude definitiva. Rahim Khan, amigo da família, quando viviam no Afeganistão, telefona e pede ajuda. Hassan teve um filho, e esse precisa urgentemente do auxílio daquele que pode ser o único elo familiar existente. Sohrab, o filho, tem muito mais a ver com a vida de Amir do que se podia imaginar. Esse não pode mais fugir de seu passado e de sua história e o momento para a redenção chega, finalmente.
 O Taliban agora é quem comanda Cabul. A capital está desolada e muito foi mudado. Tanto livro, quanto filme apresentam um país devastado e cheio de opressão. Amir chega à cidade e procura por Sohrab. A vida do filho de seu antigo amigo, é extremamente sofrida, oprimida e isso aumenta mais ainda a vontade de Amir de modificar de vez seu destino e afastar para sempre o fantasma destrutivo de seu passado. Alguns horrores voltam a assombra-lo, mas o desejo de ser melhor e de consertar seus erros, são extremamente maiores. Enquanto Amir luta contra aquilo que o perturbava, Sohrab age, como Hassan sempre agiu e os dois fogem, fogem para, juntos, recomeçarem. Recomeçarem uma vida sem medo, sem olhar para trás. Começarem uma história diferente, que possa ser uma história de família, uma família renovada.
 O Caçador de Pipas é um livro escrito entre a ficção e a realidade, os personagens podem ser criados, mas a história é sobre famílias reais, pessoas reais. O que acontece ali é sobre fatos de opressão e redenção, sobre como a vida muda e como podemos mudar com ela, sobre como enfrentamos nossos medos e defeitos, sobre como encaramos nosso passado, presente e futuro.

Ragner. O Resumão.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

UM MILAGRE DE DOIS BRASIS

Modelo militar duplica economia, mas acirra desigualdade

 De 1968 a 1973, o Brasil cresceu à taxa média próxima de 12% ao ano. Sua economia praticamente dobrou de tamanho. Um feito, com reflexos na vida de todas as classes, embora com intensidades bem diferentes. Os trabalhadores tinham emprego, a classe média comprou casa própria, carro e TV em cores. Os empresários lucraram como nunca, e as multinacionais ampliaram suas operações e ganhos. Era o milagre brasileiro, o período de maior expansão que o país viveu no século 20 e que deixou os brasileiros – sobretudo os patrocinadores da ditadura – eufóricos. Hoje, olhado em perspectiva, o milagre parece menos sobrenatural. Teve como efeito colateral uma dívida que ainda estrangula o país e piorou a distribuição de renda, que já era muito desigual.
 Em alguma medida, esse boom econômico significou a retomada do desenvolvimento acelerado anterior. Do final da Segunda Guerra Mundial ao início dos anos 60, a renda per capita aumentara sempre mais de 2% anuais, com exceção de 1953 e 1956, informa Gláucio Ary Dillon Soares, no livro 21 Anos de Regime Militar. Entre 1957 e 1961, o Brasil cresceu 8,3% anuais, em média. Nos anos seguintes, a economia estagnou e a inflação disparou, o que ajuda a entender o contexto em que ocorreu o golpe.

Dois caminhos possíveis
 Há linhas de interpretação da história que acreditam que, em 1964, o Brasil tinha dois grandes caminhos possíveis: fazer as reformas de base, para crescer tornando a distribuição de renda mais equilibrada, ou optar pela concentração econômica, com ênfase no papel das empresas estrangeiras e no controle dos salários. “Venceu o segundo”, avalia o professor Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
 Nos primeiros anos de ditadura, a prioridade foi o combate à inflação. O aumento de preços acumulado em 1964 foi de 91% e caiu para 34% em 1965. A partir de 1966, quando o controle do governo sobre juros e empréstimos foi mais duro, houve um biênio com inflação em torno de 25%. Nos anos seguintes, o ritmo de aumento de preços se estabilizaria na casa dos 20%.
 Os governos militares apostaram pesado em infra-estrutura. Foi o tempo do “brás”. Eletrobrás, Siderbras e Petrobras e outras empresas do Estado usavam grandes somas para superar gargalos em setores estratégicos. Obras gigantescas também marcaram o período, como a usina de Itaipu e a ponte Rio–Niterói.
 O Brasil mudou muito durante os anos do milagre. Ficou mais urbano, mais escolarizado, mais moderno. A expansão econômica foi usada pelo regime para se justificar. A expressão “ordem e progresso”, escrita na bandeira, caiu como uma luva na propaganda da ditadura. Dava a entender que o autoritarismo seria necessário para manter o país na rota do crescimento.
 Ocorre que, na década de 60, os mais pobres ficaram proporcionalmente mais pobres. A participação na renda nacional da metade menos abastada da população caiu de 18% para 15%. A renda do 1% mais rico subiu de 12% para 15%. Nos anos 70, a distribuição ficou pior: a metade mais pobre detinha 14% da renda em 1980, contra 17% do grupo que reunia o 1% mais rico. Delfim Netto, todo-poderoso da economia nos anos militares, dizia que era preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo.
 Esse momento nunca chegou. Ainda na ditadura, o milagre virou coisa do passado. A expansão acelerada durou seis anos; a ditadura, 21. A tentativa de manobrar a economia de olho na política levou os técnicos do regime a fazer o que hoje tem cara de grande trapalhada. A primeira delas ocorreu após o choque do petróleo, no final de 1973, quando o preço do produto disparou no mercado mundial. O Brasil importava 80% do combustível que consumia e sentiu o golpe. O governo Geisel optou por financiar esse gasto com empréstimos externos. Só em 1974, a dívida brasileira quase dobrou, indo de 6,2 bilhões de dólares para 11,9 bilhões de dólares, segundo o historiador Thomas Skidmore.
 A expansão foi mantida à custa do endividamento. Mas a economia já tinha dado sinais de fragilidade, e o apoio ao regime declinava. “Embora não tenha sido o fator mais importante, a questão econômica teve sua influência no desempenho expressivo da oposição nas eleições de 1974”, avalia a historiadora Maria Celina D’Araújo. No final dos anos 70, a fonte de recursos externos começa a secar. Torna-se difícil obter novos empréstimos e refinanciar a dívida. A inflação se acelera, ultrapassando 40% em 1978. Para completar, o petróleo sofre novo choque em 1979.
 Em 1980, a inflação chega a 77%, corroendo rapidamente os salários. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), para comprar a cesta básica um trabalhador tinha de trabalhar 88 horas e meia em 1965; em 1980, seriam necessárias quase 174 horas. As greves ganham corpo.
 A forma de reagir aos choques do petróleo tinha ampliado a vulnerabilidade do Brasil a adversidades externas. Em 1981, a economia brasileira encolheu 1,6%. No ano seguinte, cresceu magro 0,9%. Em 1983, nova recessão fez o PIB baixar 3,2%. Na primeira metade dos anos 80, o dinheiro sumiu do mercado de empréstimos internacionais e as taxas de juros dispararam. A dívida brasileira já superava 100 bilhões de dólares, parecia impagável, e a solução foi recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Em troca de financiamento, o Fundo passou a exigir que os governantes seguissem as políticas que recomendava. O santo mercado financeiro começava a cobrar o preço do milagre.
  Rogerio Schlegel



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

INVASÕES BÁRBARAS AO IMPÉRIO ROMANO

Que o império romano era gigantesco todos nós sabemos. Porém isso acarretou uma série de dificuldades ligadas a manutenção de seus territórios. Terras férteis e clima ameno foram alguns dos fatores que interessaram povos vizinhos a adentrar o território Romano. Além desse interesse, não tiveram outra saída, pois estavam sendo ameaçados e pressionados por outros povos, sendo a única alternativa fugir e entrar em terras romanas.
 Naquele período, os romanos tinham o costume de chamar invasores de bárbaros, o que era uma herança grega, pois eles designavam bárbaros aqueles estrangeiros que não eram gregos ou não tinham como língua materna a ligua grega. As invasões desses povos bárbaros foram de grande importância para que se desencadeie uma crise no Império Romano.
 Primeiramente pelo intercâmbio cultural que isso desencadeava, trazendo influências estrangeiras para dentro do Império do Romano. Fato que se comprova na Idade Média quando há uma mistura de instituições e costumes de origem romana e germânica.
 Era normal declarar guerra a um povo que invadisse seu território, mas o Império Romano acabou lidando com isso de outra maneira. Muitos dos bárbaros, que estavam fugindo das pressões de outros povos decidiram pedir ajuda ao Império Romano, que aceitou ajudá-los, com a condição de garantir a proteção das fronteiras de deterinadas regiões. Um desses povos foram os visigodos, que se hospedaram  na região com a autorização das autoridades e logo em seguida se tornaram uma ameça pois poderiam tentar controlar politicamente a região. Essa ideia de poder controlar algum território do Império não foi ideia apenas dos visigodos, isso acabou sendo frequente no imaginario desses povos. Se todos os bárbaros que estavam residindo dentro do império resolvesse tomar o poder, o estado romano certamente não daria conta de tantas revoltas.
 O império Romano então passou a sofrer com várias incursões bárbaras para dentro de seus territórios e protege-lo estava ficando cada vez mais dificil. Os visigodos por exemplo conquistaram a península iberica e a gália. Os vândalos  chegaram a conquistar o norte da África e formaram seu reino. Já os francos conquistaram uma porção da Galia. Os Anglo e Saxões conquistaram a ilha da Bretanha.
 Dessa maneira o Império ia se mostrando cada vez mais desfigurado e fragilizado com a formação de pequenos reinos bárbaros que estavam surgindo na Europa. E dessa maneira com a invasão de um povo bárbaro chamados de Hérulos, em 476, houve a deposição do último imperador romano, Romulo Augusto.
Pedro Augusto Rezende Rodrigues 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

DITADURA NA ARGENTINA

A Ditadura na Argentina começou com um golpe de Estado dado por militares que assumiram o poder do país. Durante sua vigência, foi um dos governos mais autoritários da América Latina no século XX.
 Na segunda metade do século XX surgiram vários governos ditatoriais na América Latina. Essas formas de governo normalmente eram comandadas por militares que assumiam o controle do país, geralmente através de golpes de Estado. A conjuntura da época no mundo era de Guerra Fria, então esses defensores da extrema direita governavam com o discurso de combater os males do comunismo em seus respectivos países.
 A Argentina passou por situação semelhante a do Brasil em relação a existência de um governo militar ditatorial. A Ditadura na Argentina teve início com um golpe militar no ano de 1966. O presidente Arturo Illia, que exercia o cargo legalmente dentro da constituição, foi deposto no dia 28 de junho daquele ano e a partir de então se sucedeu uma série de governos de militares até 1973.
 Embora o tempo de vigência da Ditadura na Argentina tenha sido de apenas sete anos, bem menos do que os 21 anos de ditadura militar no Brasil, foi tempo suficiente para as várias atrocidades cometidas pelos governantes autoritários.
 Os promovedores da Ditadura na Argentina, em semelhança ao Brasil, a determinavam como Revolução Argentina. Logo após a tomada de poder, entrou em vigor no país o Estatuto da Revolução Argentina que legalizou as atividades dos militares. O intuito dos golpistas era de permanecerem no poder por tempo indeterminado, enquanto fosse necessário para sanar todos os problemas argentinos. A nova ‘constituição’ proibia a atividade dos partidos políticos e cancelava quase todos os direitos civis, sociais e políticos por conta de um quase constante Estado de Sítio. Era a derrocada da cidadania.
 Ao longo do período de governo militar, três indivíduos ocuparam o poder: o general Juan Carlos Onganía, o general Roberto Marcelo Levingston e o general Alejandro Agustín Lanusse.
 Juan Carlos Onganía governou de 1966 a 1970 e entregou o poder debilitado por conta de protestos. Em seu lugar, a Junta de Comandantes em Chefe das forças armadas assumiram o governo do país e decidiram pela indicação do general Roberto Marcelo Levingston para a presidência. Levingston era um desconhecido militar e governou a Argentina até 1971 pela incapacidade de controlar a situação política, econômica e social do país. Em seu lugar entrou o homem forte da ditadura, o general Alejandro Augustín Lanusse. Este governou entre 1971 e 1973, sua gestão que foi empenhada em obras de infra-estrutura nacional era vista com desgosto da população.
 As crescentes manifestações populares causaram as eleições para novo presidente na Argentina em 1973. A população queria Perón no governo do país, mas o candidato do povo foi barrado pelo então presidente militar que alterou as leis eleitorais da constituição de forma que barrasse sua candidatura. Impossibilitado de ser eleito, Perón e o povo passaram a defender a candidatura de Hector José Cámpora, que saiu vitorioso no pleito.
 O período da Ditadura Militar na Argentina foi cruel e sangrento, a estimativa é de que aproximadamente 30 mil argentinos foram seqüestrados pelos militares. Os opositores que conseguiam se salvar fugiam do país, o que representa aproximadamente 2,5 milhões de argentinos. Os militares alegam que mataram “apenas” oito mil civis, sendo que métodos tenebrosos de torturas e assassinatos foram utilizados pelos representantes do poder. O governo autoritário deixou marcas na Argentina mesmo após a ditadura, com a democracia poucos presidentes conseguiram concluir seus mandatos por causa da grande instabilidade econômica e social.
Antonio Gasparetto Junior 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

OS TÚNEIS DO VIETNÃ

Enquanto tropas e helicópteros americanos ocupavam os céus e as florestas do Vietnã, durante a guerra de 1961 a 1975, os vietnamitas do norte e as forças comunistas valeram-se de uma estrutura primitiva porém igualmente eficaz: vastos e profundos túneis. Escavados com as mãos ou com ajuda de pás de madeira, essas estruturas atingiam profundidades de até 20 metros e às vezes quase 120 quilômetros de extensão, abrigando milhares de pessoas por períodos que podiam durar vários meses. O complexo mais famoso ficava no distrito de Cu Chi, a cerca de 70 quilômetros a sudeste de Saigon, a capital do Vietnã do Sul, e próximo de importantes bases militares americanas. Aliás, havia túneis que se estendiam até debaixo das bases inimigas, criando entre os americanos a lenda dos fantasmas vietcongues. Eles apareciam de repente, disparavam rajadas de metralhadoras e... sumiam.
 Guerra subterrânea
Com o perigo nas florestas, a segurança vinha da lama
Comendo na surdina
 A alimentação dos ocupantes era preparada em cozinhas equipadas com um sistema de “chaminés”. Por meio deles, a fumaça criada com o cozimento de arroz e carne era desviada para centenas de metros de distância
 Rasteira fatal
 As imediações eram pontilhadas de armadilhas. Algumas consistiam em explosivos acionados por arames. Outras eram buracos no chão, no fundo dos quais havia estacas de bambu lambuzadas com fezes, para infeccionar os feridos
 Batalhas no barro
 Soldados magros e baixos, a maioria de origem latino-americana, foram treinados pelo Exército dos Estados Unidos para explorar os esconderijos vietcongues. Originados em 1966, ficaram conhecidos como Tunnel Rats (Ratazanas de Túneis)
 Enterrados vivos
 Escondidos em pequenos redutos nas laterais dos túneis principais, guerrilheiros disparavam contra inimigos que se aventurassem pelas galerias. Muitos soldados americanos ficavam presos pelos corpos dos companheiros atacados
 Ataque de surpresa
 Os soldados americanos e sul-vietnamitas eram surpreendidos por guerrilheiros escondidos em alçapões camuflados no chão. Disparando fuzis AK-47 e lançando granadas, os vietcongues preferiam ferir a matar os inimigos, a fim de atrasar o deslocamento da tropa até o resgate dos feridos
 Pronto-socorro
 Alguns túneis incluíam hospitais de emergência, onde eram tratados não apenas guerrilheiros, mas também a população das vizinhanças, num esforço para conquistar sua simpatia. O atendimento chegava a incluir a realização de partos
 Cobras criadas
 A disposição dos túneis formava um verdadeiro labirinto no subsolo. Passagens falsas levavam a becos sem saída, onde muitas vezes eram deixadas cobras venenosas para atacar intrusos
 Sala de aula
 Além de reuniões de guerrilheiros, algumas câmaras abrigavam a doutrinação ideológica dos moradores, fornecida por comissários políticos do governo do Vietnã do Norte
 Saída de emergência
 Acessos escondidos dentro de córregos, no interior de casas ou em seus quintais uniam os túneis com a vida exterior. A população das aldeias fornecia alimentos e informações aos ocupantes, além de refugiar-se ocasionalmente neles.
Roberto Navarro. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

As Conjurações do Século XVIII
            No final do século XVIII, o Brasil era uma colônia submetida a sua metrópole Portugal. A pesada tributação imposta pela Coroa portuguesa agravava a situação social da colônia, criando um ambiente propicio para a difusão de ideias revolucionárias. Foi nesse contexto que alguns intelectuais se organizaram para reivindicar maior liberdade e autonomia em relação à metrópole portuguesa. Esse período da História do Brasil é conhecido como Período Pombalino, devido às reformas impostas pelo primeiro ministro português Marquês de Pombal, que entre outras coisas aumentou os impostos, centralizou ainda mais a administração e expulsou os jesuítas do Brasil.
            Nessa época havia grande insatisfação entre a população da capitania de Minas Gerais, pois o governo luso havia implantado uma serie e reformas administrativas, visando aumentar a tributação e o controle sobre a colônia. Além disso, a atividade mineradora esta em declínio provocado pelo esgotamento de grande parte das minas e, para garantir a arrecadação dos impostos sobre o ouro, a Coroa portuguesa havia ameaçado aplicar a derrama, nome dado à cobrança forçada de impostos atrasados. Sentindo-se prejudicada pela politica econômica da Coroa, membros da elite de Vila Rica começaram a organizar, em 1789, uma conjuração com o objetivo de cancelar o pagamento de tributos e das dividas com a Coroa, além de proclamar uma República independente em Minas Gerais. Depois que a capitania se tornasse autônoma, os conjurados pretendiam instalar manufaturas na região. Ao se posicionarem contra a dominação portuguesa, os conjurados expressavam a influencia das ideias revolucionários difundidos na Europa e nas Treze Colônias. Os intelectuais mineiros tinham acesso às ideias iluministas por meio de livros, trazidos pelos jovens que iam estudar em universidades europeias. Porém, é importante ressaltar que não havia a ideia de uma nação brasileira, os conjurados mineiros “lutavam” pela independência de Minas Gerais e não do Brasil como um todo. Portanto, tratando-se de um movimento nativista. Proprietários de minas e de terras, membros da administração colonial, profissionais liberais, intelectuais, padres e militares aderiram à conjuração e passaram a se reunir e planejar o levante, que seria iniciado no dia da cobrança da derrama. No entanto, em troca de um indulto, Joaquim Silvério dos Reis delatou a conspiração ao governador da capitania. Desarticulados, os lideres do movimento foram presos e condenados. O alferes Joaquim José da Silva Xavier “Tiradentes”, um dos membros mais ativos do movimento, foi condenado à morte, tendo sido enforcado e esquartejado.
            Em 1763, sob o governo de Pombal, a capital da colônia é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. A partir de então, os moradores de Salvador passaram a sofrer com a alta dos preços dos produtos essenciais, decorrentes da queda de circulação de dinheiro e da falta de investimentos na cidade. No decorrer dos anos, além de roupas e alimentos, muitos produtos manufaturados também começaram a faltar. Nessa época, a maior parte da população baiana viviam em condições precárias e pagava altos impostos. Nessa situação de crise, um grupo de intelectuais passou a se reunir para discutir propostas de mudanças. A partir de 1798, eles começaram a manifestar suas insatisfações afixando panfletos em vários pontos da cidade. Os grupos sociais mais prejudicados com a crise eram formados por escravos, militares de baixo escalão e trabalhadores livres e pobres. Em pouco tempo, esses grupos se uniram ao movimento de contestação. Profundamente influencias pelos ideias da Revolução Francesa, os revoltosos nutriam um forte sentimento anticlerical e antieuropeu. Eles pretendiam proclamar uma República, acabar com a escravidão, abrir o porto de Salvador ao livre comércio e garantir melhorias nas condições de vida.  A base ideológica e os objetivos do movimento já estavam estabelecidos quando as reuniões secretas dos conjurados foram deletadas às autoridades. Foi aberto então um inquérito e muitas pessoas envolvidas foram presas e interrogadas. A repressão ao movimento foi violenta. Seus líderes, assim como os participantes mais pobres, foram condenados à morte. Outros participantes do movimento foram açoitados e enviados para o exilio na África, enquanto a maioria dos membros da elite foi absolvida nos inquéritos.
           
A CORTE PORTUGUESA NO BRASIL
            O Bloqueio Continental imposto por Napoleão na Europa e as relações entre Portugal e Inglaterra foram fundamentais para a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808, fazendo do Rio de Janeiro a nova sede da Coroa lusa. A chegada da corte e a instalação das instituições políticas, administrativas e jurídicas do governo português no Rio de Janeiro acarretaram diversas mudanças na colônia. Essas mudanças deram inicio a um processo que resultou na independência do Brasil. Quando em 1806, Napoleão impôs aos Estados europeus o Bloqueio Continental, as autoridades portuguesas tiveram que optar em obedece ao imperador francês ou enfrentar o exercito napoleônico. A solução encontrada pelos portugueses após uma série de encontros confidenciais com lideres ingleses foi manter o apoio à Inglaterra e transferir a capital do Reino de Portugal para o Brasil. Assim, em 1808, cerca de 4.500 pessoas, entre elas, o príncipe regente D. João, a família real e a corte portuguesa desembarcaram no Brasil na cidade do Rio de Janeiro, que a partir de então tornou-se a sede do governo de Portugal.
            Ao chegar ao Brasil, ainda em Salvador, D. João decretou à abertura dos portos as nações amigas. Este ato acabava com a pacto colonial e o monopólio da Coroa portuguesa sobre as atividades comerciais com a colônia. Era o início do fim do período colonial brasileiro. Em 1810, sob pressão da Inglaterra, D. João assinou dois importantes tratados que regulamentavam as relações comerciais estabelecidas entre Brasil e os demais Estados europeus. De acordo com o Tratado de Navegação e Comércio, os comerciantes ingleses pagariam um imposto de 15% sobre o valor da mercadoria. A tributação de produtos vendidos por portugueses seria de 16% e aos demais Estados europeus de 24%.  Com o Tratado de Aliança e Amizade, D. João se comprometia a reduzir e posteriormente abolir o tráfico de escravos para o Brasil. Além disso, o tratado permitia liberdade religiosa aos ingleses.
            Em 1815 com o fim das guerras napoleônicas, os ingleses pressionaram para que D. João voltasse para Portugal. Vários fatores, no entanto, dificultaram o retorno do rei e de sua corte. A Família Real e os principais órgãos administrativos portugueses estavam estabelecidos no Brasil. Além disso, muitos portugueses haviam abertos negócios aqui e não queriam retornar para Portugal. Nesse contexto, D. João que já havia sido coroado rei como D. João VI, em dezembro de 1815 eleva o Brasil a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Essa medida desagradou profundamente às pessoas que viviam em Portugal, pois elas acreditavam que com a elevação do Brasil a Reino Unido, a metrópole corria o risco de ser rebaixada à condição de colônia. Por outro lado, a medida de D. João favoreceu as elites brasileiras, que não desejavam perder os benefícios adquiridos desde 1808.
Rio de Janeiro: a capital do Reino de Portugal
Com a chegada de D. João e a corte lusa ao Rio de Janeiro, essa cidade passou por rápidas transformações. Por ser a capital do Reino, começou a atrair pessoas de diferentes regiões do Brasil e também de Portugal. Em pouco tempo ocorreu um grande aumento populacional e, para atender as necessidades da população, novos estabelecimentos comerciais foram criados. Além de movimentar as atividades comerciais urbanas, a presença da Coroa portuguesa no Brasil tornou necessária a criação de várias instituições: o Banco do Brasil, primeiro banco do país, foi criado para administrar as finanças do Estado; a Biblioteca Real (atual Biblioteca Nacional do Brasil); a Escola Real de Ciências e Artes; o Jardim Botânico; a Imprensa Régia; entre outras reformas de infraestrutura.
            Em agosto de 1820 acontece em Portugal a Revolução Liberal do Porto. Liderada principalmente por militares e comerciantes, seu objetivo era reestruturar o Estado português, que naquela época atravessava uma grave crise politica e econômica. A principal causa da crise politica era a ausência do chefe de Estado ( o rei) e dos membros do governo, já que D. João VI e sua corte permaneciam no Brasil. Além disso, o território português estava sob o controle efetivo do marechal inglês Beresford, visto que a expulsão das tropas napoleônicas de Portugal tinham sido comandadas pelos ingleses. A crise econômica por sua vez, foi causada principalmente pela perda dos lucros que os portugueses obtinham com o monopólio do comercio com a colônia brasileira.
            Pressionado pelos revoltosos, as autoridades portuguesas convocaram as Cortes, uma assembleia formada por representantes políticos. O principal objetivo era elaborar uma Constituição liberal a ser seguida por todos os habitantes do reino, inclusive o rei. As Cortes exigiam que D. João VI retornasse para Portugal e restabelecesse o monopólio do comercio brasileiro, ou seja, queriam que o pacto colonial voltasse a vigorar. Com medo de ser deposto do trono e convencido de que a situação era grave D. João VI e sua comitiva retornaram para Lisboa em abril de 1821. No ano seguinte, a Constituição foi aprovada transformando Portugal em uma monarquia constitucional. Entretanto, setores conservadores liderados pela nobreza e o alto clero conseguiram alterar o texto da Constituição, diminuindo seu caráter liberal. No Brasil ficou D. Pedro, filho mais velho do rei,  governando como príncipe regente.

A CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA
            Após o regresso de D. João VI, as Cortes portuguesas passariam a exigir o retorno de D. Pedro sob o pretexto de que ele tinha que terminar seus estudos, pois se tratava de um príncipe herdeiro. Caso ele não voltasse poderia ser acusado de insubordinação. Do outro lado, a elite brasileira, que não desejava perder seus privilégios desde a chegada da corte , passou a se articular para garantir a presença do príncipe regente no Brasil. Dessa forma no dia 9 de janeiro de 1822 D. Pedro recebeu um abaixo-assinado com mais de 8 mil assinaturas que pediam sua permanência. Assim, D. Pedro assumiu publicamente o compromisso de ficar no Brasil, desobedecendo às ordens das Cortes. Esse fato ficou conhecido como o “Dia do Fico” – “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”.
            Diante da permanência de D. Pedro no Brasil, grupos com interesses políticos divergentes se definiram, dividindo-se em dois partidos: o Partido Português e o Partido Brasileiro. O Partido Português era formado por militares portugueses de alta patente, grandes comerciantes e funcionários públicos. Os interesses desse partido estavam ligados aos da metrópole. Seus membros defendiam o restabelecimento do pacto colonial, para que o Brasil retornasse a situação anterior a 1808. O Partido Brasileiro, por sua vez, tinha uma formação diversificada que incluía grandes proprietários rurais, políticos conservadores, liberais radicais, republicanos, membros das camadas médias urbanas, ex-escravos e também portugueses estabelecidos no Brasil. Os grupos que formavam o Partido Brasileiro uniram-se para combater a proposta de recolonização exigida pelas Cortes portuguesas.
            Após a decisão de ficar no Brasil, D Pedro começou a tomar decisões que indicavam uma tendência separatista. Primeiramente expulsou do Tio de Janeiro soldados portugueses que se recusaram a jurar fidelidade e, depois aproximou-se da elite conservadora brasileira, nomeando José Bonifácio como seu ministro. Com o apoio de proprietários rurais, altos funcionários, juízes e grandes comerciantes era fundamental para que D. Pedro pudesse proclamar a independência e se manter no poder como monarca, além de garantir a ordem social estruturada, o que agradava a elite conservadora. Agosto de 1822 foi decisivo para a independência do Brasil, diante de um ultimato das Cortes portuguesas para que retornasse para Portugal, D. Pedro decertou o “Cumpra-se”, isso é, nem uma ordem poderia ser acatada no Brasil sem o seu consentimento. Mediante a esta decisão várias cartas das Cortes chegaram ao Brasil no inicio de setembro que desautorizavam as medidas tomadas pelo príncipe regente. D. Pedro então, decidiu pelo desligamento com Portugal e, em 7 de setembro de 1822, as margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, declarou o Brasil independente de Portugal. A antiga colônia portuguesa passou a se chamar então Império do Brasil e D. Pedro foi coroado imperador com o titulo de D. Pedro I.

            A Declaração de Independência não foi aceita imediatamente nem por Portugal e até mesmo no Brasil. Apenas as províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais aderiram prontamente ao novo regime imperial. Nas demais províncias houve resistência e alguns conflitos.