quinta-feira, 17 de outubro de 2013

HISTÓRIA DO CANADÁ

O nome Canadá provém do iroquês kanata, que significa aldeia ou povoado. Segundo país da Terra em extensão territorial, e um dos que alcançaram mais alto padrão de vida, o Canadá, devido a condições naturais de clima, solo e relevo, é desabitado na maior parte de seu território, do qual só a metade, aproximadamente, teve suas reservas e recursos explorados.

Com área de 9.970.610km2, o Canadá ocupa toda a parte superior da América do Norte, com exceção do Alasca, mas incluindo as ilhas adjacentes. Limita-se ao norte com o oceano Glacial Ártico, a leste com o oceano Atlântico, ao sul com os Estados Unidos (8.895km de fronteira desmilitarizada) e a oeste com o oceano Pacífico e o estado americano do Alasca.
Início da colonização. Os navegadores escandinavos chegaram às costas canadenses no século XI, mas pouco se sabe sobre suas atividades na América. O primeiro desembarque bem documentado é o de João Caboto, marinheiro genovês que procurava uma passagem para o Pacífico, a mando do governo inglês, e chegou em 1497 à península do Labrador.
Os ingleses, porém, não se interessaram pela região e, no princípio do século XVI, os únicos europeus que viajaram com freqüência pelos mares que circundam o Canadá foram pescadores que chegavam às águas pouco profundas da Terra Nova, em busca de bacalhau. De 1520 a 1525, o português João Álvares Fagundes explorou a costa da ilha do cabo Breton, mas não foi bem-sucedido na tentativa de colonizá-la.
As primeiras expedições de intenção colonizadora foram realizadas pelos franceses. Em 1524, o navegador florentino Giovanni da Verrazano percorreu as costas do golfo de São Lourenço e tomou posse destas em nome de Francisco I da França, que patrocinara a viagem. Só se passou, porém, a conhecer efetivamente o Canadá a partir dos feitos de Jacques Cartier, que viajou pelo extremo nordeste da Terra Nova e em 1534 chegou à península de Gaspé.
Em sua segunda viagem, em 1535, Cartier subiu o São Lourenço até as aldeias indígenas de Stadacona e Hochelaga, onde floresceriam as futuras cidades de Québec e Montreal. Apesar de ter ficado na região por vários meses, não criou ali nenhum assentamento, situação que se prolongou até o século XVII, uma vez que as guerras religiosas na França interromperam seus empreendimentos de colonização. A presença francesa ficou reduzida às tradicionais expedições pesqueiras à Terra Nova e ao comércio de peles por parte de aventureiros que procuraram ganhar o interior do país.
No fim do século XVI, estabilizada a situação na metrópole, os comerciantes, com o objetivo de assegurar o monopólio das peles, estimularam a colonização permanente das regiões vitais para o intercâmbio. A primeira feitoria foi fundada na ilha de Sable, a 180km de Nova Escócia. No princípio do século XVII Samuel de Champlain, primeiro governador do Canadá francês, deu novo impulso à colonização. Em 1604, fundou-se na Nova Escócia a importante localidade de Port-Royal e, em 1608, Québec, ponto de partida das explorações e capital da Nova França. A expansão francesa foi muito rápida. Ao final do século XVII as colônias francesas da América do Norte  estendiam-se desde o rio São Lourenço e os grandes lagos até as pradarias do oeste, e ao rio Mississippi e golfo do México, ao sul.
Ao mesmo tempo, a Inglaterra estava cravando os alicerces de sua colonização na América. A primeira tentativa séria foi realizada por Humphrey Gilbert, que em 1578 chegara ao porto de Saint John's, na Terra Nova, e tomara posse da região em nome da soberana inglesa Elizabeth I. Pouco depois foram fundadas pequenas colônias na Terra Nova e na baía de Hudson.
Conflitos coloniais entre franceses e ingleses. Depois de estabelecer suas cabeças-de-ponte na América do Norte, a França e a Inglaterra tentaram estender e consolidar seus domínios o mais depressa possível. Começou desse modo uma luta em que se disputou a posse do vasto continente durante mais de 150 anos, até o Tratado de Paris, em 1763.
Os confrontos tiveram início em 1613, quando colonos britânicos da Virgínia destruíram na costa leste os pequenos e indefesos povoados franceses da Acádia. Em 1628, Sir William Alexander fundou uma colônia escocesa, a Nova Escócia, posteriormente assimilada pelos franceses. Durante algum tempo não houve desavenças, uma vez que, entre os territórios ingleses e franceses, se interpunham colonos holandeses, fixados na parte baixa do rio Hudson e na ilha de Manhattan, denominada Nova Amsterdam. Em 1664, porém, os ingleses conquistaram o território holandês e mudaram-lhe o nome para Nova York.
Enquanto isso, a Nova França, que até o século XVII fora apenas colônia comercial, à época do cardeal Richelieu converteu-se em colônia real. Embora atrasados em sua expansão pela resistência das tribos indígenas, pela hostilidade do clima e pelas  desavenças com os ingleses, os franceses haviam ampliado substancialmente seus domínios.
A partir da segunda metade do século XVII, o mercantilista Colbert, ministro de Luís XIV, estimulou a política colonial. No início do século XVIII os colonos franceses que viviam nas regiões de uma e outra margem do rio São Lourenço somavam 16.000. Não se tratava de uma colonização em grande escala, porque, entre outros motivos, a caça e o comércio de peles não exigiam povoamento intensivo.
A luta entre a França e a Grã-Bretanha pela hegemonia européia, desde as primeiras décadas do século XVIII, repercutiu em suas respectivas possessões coloniais. A França perdeu, aos poucos, grande parte de seus territórios no novo continente. Em 1713, pelo Tratado de Utrecht, cedeu à Grã- Bretanha os territórios da Acádia (Nova Escócia e ilha do Príncipe Eduardo), Terra Nova e baía de Hudson.
Em meados do mesmo século, os rumos da guerra dos sete anos na Europa também se refletiram sobre as colônias. Vitoriosa, a Grã-Bretanha aproveitou para conquistar as terras francesas do Canadá. Québec foi tomada em 1759 e Montreal em 1760. Três anos depois, pelo Tratado de Paris, a França abandonaria definitivamente as terras canadenses, em benefício da Grã-Bretanha.
O Canadá britânico: 1763-1867. A nova colônia britânica teria uma população majoritariamente francesa. Com o objetivo de conquistar a confiança e lealdade dos franco-canadenses, os britânicos em 1774 concederam o Estatuto de Québec, que reconhecia a liberdade de culto, o respeito à língua e o restabelecimento do direito civil francês.
Após a independência dos Estados Unidos, muitos loyalists, ingleses e anglo-americanos fiéis à coroa britânica, emigraram para a região de Ontário, então província de Québec. Eram, na maioria, agricultores que, somados à contínua chegada de imigrantes britânicos, deram origem a problemas que a metrópole só resolveria com a promulgação do Estatuto Constitucional de 1791, que decretou a divisão do Canadá em duas províncias: o Alto Canadá, mais tarde Ontário, povoado majoritariamente por britânicos e sujeito ao sistema legal inglês, e o Baixo Canadá, depois Québec, de maioria francesa e regido pelo direito civil francês. Ambas as províncias teriam suas respectivas assembléias legislativas. Começava assim a segunda etapa da história do Canadá.
Guerra com os Estados Unidos. Após a  independência americana, surgiram os primeiros desentendimentos entre a colônia britânica e a nova nação, como conseqüência do comércio de peles, do desejo dos americanos nacionalistas de libertar a América do domínio do velho continente, e do ressentimento dos loyalists contra os novos adversários. A inexistência de fronteiras claramente demarcadas complicava a situação. Em 1812 desencadeou-se um pequeno conflito que terminou com a fixação, dois anos depois, de fronteiras que asseguravam a separação definitiva entre os dois países.
Exploração do interior. No princípio do século XIX, as únicas regiões colonizadas eram as que ficavam próximas aos grandes lagos do lado leste, as que estavam à beira do rio São Lourenço e as províncias marítimas (Nova Escócia, Nova Brunswick, Príncipe Eduardo e Cabo Breton). Mas, no final do século XVIII os comerciantes de pele começaram a internar-se no oeste e nas regiões ao norte dos grandes lagos. Em 1789, Alexander Mackenzie alcançou o curso do rio que passou a ter seu nome, na região ártica e, no início do século XIX, Simon Fraser e David Thompson exploraram as regiões da costa do Pacífico, posteriormente conhecidas como Colúmbia Britânica.
Levantes de 1837 e o Estatuto Único. A entrada crescente de imigrantes (800.000 entre 1815 e 1830), com os conseqüentes problemas econômicos, sociais e de adaptação, ao lado do descontentamento dos setores de origem francesa, cristalizaram-se nos levantes de 1837. Os movimentos, tanto no Alto como no Baixo Canadá, tinham como objetivo aumentar a autonomia de ambas as províncias e conseguir a instauração de um regime republicano.
Controlada a rebelião, o governador enviado para solucionar a situação, John George Lambton, conde de Durham, recomendou a união dos territórios canadenses, com a conseqüente assimilação da parte de influência francesa (à qual atribuía a culpa dos acontecimentos), aumento da autonomia política e provincial. O governo britânico aceitou ampliar o grau de autogoverno e elaborou um estatuto da união, o Estatuto Único de 1840, baseado na coexistência das comunidades e não na assimilação.
Confederação canadense e evolução política. A união do país se veria dificultada pelas rivalidades provinciais e diferenças culturais. Em 1864, os políticos provinciais reunidos em Charlottetown e em Québec decidiram criar uma confederação canadense, que se materializou em 1867 com o Estatuto da América do Norte Britânica, que assegurava a união das províncias existentes e, com o tempo, propiciaria a criação de outras.
De acordo com esse instrumento, o Canadá se organizaria como estado autônomo com categoria de domínio dentro do império britânico e regido por um sistema político democrático. Embora a confederação tivesse amplos poderes internos, as relações exteriores seriam exercidas pelos britânicos, que resolveram os litígios territoriais com os Estados Unidos com expressivas concessões, como em 1903 se demonstrou com os acordos de fronteira sobre o  Alasca. Os franco-canadenses, no entanto, ofereceram forte resistência à confederação assim articulada, o que levou à rebelião franco-canadense de 1885, no vale de Saskatchewan.
Desde o estabelecimento da confederação, o Canadá foi dirigido alternadamente por dois partidos políticos: o Conservador e o Liberal, da mesma forma que ocorria na metrópole britânica. De 1867 até 1896 o conservador John Macdonald governou o país. Foi uma época de vertiginoso desenvolvimento econômico, que se concretizou sobretudo na construção da estrada de ferro Canadian Pacific (que uniu a costa do Atlântico à do Pacífico), na enorme expansão do comércio e na implantação de poderosas instalações industriais.
Em 1896 começou um período de governo liberal. John Macdonald foi substituído pelo autonomista e liberal Wilfrid Laurier, que conseguiu ampliar a margem de autogoverno quando se reconheceu à confederação o direito de não ficar atrelada aos tratados britânicos e de regular segundo seus próprios interesses a imigração.
Período 1914-1945. A intervenção na primeira guerra mundial, ao lado do Reino Unido, garantiu ao Canadá não apenas igualdade junto às nações da Comunidade Britânica, como também a  participação em 1919 da assinatura do tratado de paz de Versalhes e ainda seu ingresso na Liga das Nações, na qualidade de estado independente. Em 1926, a conferência imperial definiu a Comunidade Britânica como um conjunto de países autônomos livremente associados, fato corroborado pelo estatuto de Westminster de 1931, que outorgava ao Parlamento federal canadense uma total autonomia legislativa.
O Canadá atravessou a década de 1920 em acelerado processo de desenvolvimento econômico, mas sofreu duramente as conseqüências da crise de 1929, devido, principalmente, a seus fortes laços comerciais com os Estados Unidos, com os quais em 1940 firmou um pacto militar de defesa mútua. Como país independente, em 1939 declarou guerra à Alemanha e participou ativamente do conflito, não só fornecendo tropas e material militar, como também alimentos e ajuda financeira.
Evolução após a segunda guerra mundial. Em 1949 o Canadá chegou ao ápice de sua expansão com a inclusão efetiva da Terra Nova e participou, já na qualidade de potência internacional, da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e, em 1956, da força de emergência das Nações Unidas, organizada durante a crise de Suez.
Após a guerra, o Canadá passou por impressionante surto de desenvolvimento do setor industrial, que se converteu no motor da economia do país. Os liberais, que governaram o país desde 1935, primeiro com  William Lyon Mackenzie e, a partir de 1948, com Louis Saint-Laurent, deram lugar ao conservador John Diefenbaker, que venceu as eleições de 1957 com um programa populista. Seu governo, porém, entrou em crise no início da década de 1960.
Como culminância de uma nova fase de predomínio dos liberais, em 1968 Pierre Elliott Trudeau, originário de Québec, venceu as eleições com maioria absoluta. Trudeau governou o país durante mais de uma década, saiu vitorioso em sucessivas eleições e empreendeu uma política baseada no incremento das relações econômicas com a Europa e com os países socialistas, assim como no nacionalismo perante os Estados Unidos.
Durante seu primeiro mandato, teve de enfrentar violentas manifestações da organização separatista Frente de Libertação de Québec, que de modo geral se prolongaram até 1969, quando o Parlamento federal reconheceu o francês como língua oficial, ao lado do inglês. O separatismo não arrefeceu e em 1976 o partido autonomista (Parti Québécois) obteve esmagadora vitória eleitoral em Quebec: o líder René Lévesque tornou-se um chefe do executivo provincial. Entretanto, o plebiscito de 1980 sobre "soberania ou associação" de Québec com o Canadá derrotou os separatistas.
Mais tarde, o governo de Trudeau instou o Reino Unido a conceder ao Parlamento canadense a capacidade de dispor de sua própria ordenação jurídico-administrativa. Em 1982 o Parlamento britânico aprovou o novo estatuto pelo qual o Canadá alcançou completa independência em termos legislativos, embora  permanecesse submetido à soberania formal da coroa britânica.
Em fevereiro de 1984 Trudeau anunciou sua demissão  e, em setembro, o conservador Brian Mulroney venceu as eleições. Em 1985 o novo primeiro-ministro apoiou as iniciativas de defesa estratégica tomadas pelo presidente americano Ronald Reagan e em 1987  negociou uma liberalização do comércio entre Canadá e Estados Unidos.
Em 1987 firmou-se o chamado pacto do lago Meech, pelo qual as dez províncias autônomas e o governo federal reconheceram as peculiaridades de cada unidade administrativa. Em 1990, porém, as províncias de Manitoba e Terra Nova não ratificaram o pacto, deixando aberto o caminho do separatismo, de especial significado em Québec.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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