terça-feira, 8 de outubro de 2013

O PODER DO CLERO NA IDADE MÉDIA

Durante a era medieval a estrutura social era alicerçada sobre três estratos: o Clero, os Nobres e a Massa, sendo que os representantes religiosos ocupavam a primeira camada da sociedade. A organização clerical era composta pelo Clero Secular e pelo Clero Re-gular.
 O primeiro mantinha-se sob as ordens estritas do Bispo e residia em moradias conheci-das como paróquias. O segundo grupo era formado pelos sacerdotes que habitavam os mosteiros e seguiam as regras de suas próprias ordens e dos seus conselhos eclesiásticos.
 Na esfera religiosa a Igreja exerceu um papel preponderante como elo entre a cultura clássica, desenvolvida por gregos e romanos, e os novos valores cristãos. Em meio ao caos provocado pela queda do Império Romano e pela chegada dos povos bárbaros, o clero teve poder o suficiente para perpetuar as conquistas da Antiguidade, agora vistas sob a ótica do Cristianismo.
 Na fragmentação político-social caracterizada pela disseminação dos feudos e por uma concentração da vida social no campo, o clero também foi responsável pela criação de vínculos entre as várias instituições medievais. Além do mais, a Igreja detinha então um terço do território produtivo em suas mãos, o que revela o intenso poder que ela exercia sobre a economia feudal.
 O Papa, considerada a mais alta autoridade eclesiástica e também intitulado bispo de Roma, exercitava o papel de gestor do Legado de São Pedro desde 756. A fortuna acu-mulada ao longo do tempo pelo Vaticano tinha também como fontes as ofertas dos de-votos. Certamente tamanha influência posicionou o Sumo Pontífice no centro dos con-frontos políticos que, nesta época, foram deflagrados pelos soberanos.
 A Igreja se valeu de vários mecanismos de poder para dominar a sociedade medieval, e os principais instrumentos foram o Tribunal da Santa Inquisição e as Cruzadas. Neste período, apesar do clero se apresentar como mediador entre Deus e a Humanidade, nem todos seguiam seus preceitos.
 Os cristãos divergentes eram denominados hereges. Eles não adotavam em sua totalida-de a Doutrina Católica. Na prática das supostas heresias destacavam-se os albigenses ou Cátaros, que atuaram apaixonadamente durante o século XII na região sul da França. Eles mantinham seu próprio clero; acreditavam que o Messias falava literalmente durante a última ceia quando afirmou: “isto é o meu corpo” (Mateus capítulo 26, versículo 26); negavam a tese da Trindade e também a existência de uma região infernal e do Purgatório.
 Sentindo-se ameaçado, o Papa Inocêncio III decretou que eles fossem perseguidos e eliminados. Foi então que o clero constituiu a famosa cruzada que em 1229 derrotou massivamente os cátaros, massacrando vinte mil homens, mulheres e crianças no sul da França.
 O Tribunal seguiu seu curso sanguinário e intolerante, caçando todos que ousavam questionar um ou outro elemento da Doutrina e também as mulheres, vistas como bruxas pelo Clero e por um povo supersticioso. Sua ação desencadeia o uso excessivo do poder, acusações fictícias, homicídios, furtos, tortura e a lenta execução de inúmeras pessoas. As motivações da Inquisição eram não só espirituais, mas também políticas
Ana Lucia Santana..

Nenhum comentário:

Postar um comentário