quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O PIANISTA

Guerra x Arte
 Desde 1933, quando Hitler ascendeu ao poder na Alemanha, acumulando os cargos de primeiro-ministro e presidente, o destino dos judeus parecia selado. E as perspectivas eram as piores possíveis. Uma leitura do livro escrito pelo "Fuhrer" alemão (a obra "Mein Kampf"; "Minha Luta" em português) permitiria prever que eram mais que prováveis as perseguições e humilhações a que seriam submetidos os membros da comunidade judaica, ao menos dentro da Alemanha.
 Cientes que os objetivos dos nazistas incluíam o expansionismo territorial e a busca do espaço vital (e com isso obter mão de obra de baixo custo, matérias primas, áreas para novos investimentos e amplos mercados consumidores), ações que foram se efetivando na medida em que a Alemanha avançou sobre a Áustria e a Tchecoslováquia, a situação dos judeus residentes em países vizinhos também se tornava delicada. Uma eventual anexação ou invasão germânica significaria, na prática, a submissão a condições de vida degradantes e violências do mais variado calibre.
 A invasão da Polônia em setembro de 1939 confirmou os piores prognósticos. Tanto os poloneses em geral, quanto os judeus em particular, foram confinados a guetos e, posteriormente, transferidos para campos de concentração e/ou de extermínio. Na prática isso significou para essas pessoas:- a perda de seus bens e de seu patrimônio, a instalação em locais sem infra-estrutura adequada para permitir-lhes resistir ao frio e as doenças, a utilização dessas pessoas como mão de obra escrava, a separação de famílias (cujos membros jamais voltariam a se encontrar) e os desmedidos e arbitrários atos de violência física aos quais eram constantemente submetidos (que iam de espancamentos por pequenos erros ao frio e brutal assassinato na frente dos demais para estabelecer exemplos e disseminar o medo entre os prisioneiros).
 Como conseguir sobreviver a todas essas privações e agressões? De que formas poderiam os prisioneiros resistir sem o apoio dos familiares, sendo exauridos fisicamente por um trabalho degradante e ainda tendo que se alimentar com quantidades inferiores ao que seria necessário para se manterem com alguma saúde? Que esperanças poderiam existir entre eles se não tinham notícias do que ocorria no front de guerra?
 O filme "O Pianista", do diretor polonês Roman Polanski, nos coloca diante de uma circunstância inusitada quanto à história da guerra. Um caso muito particular, de um artista destacado, que relata suas dificuldades e nos mostra como a guerra pode enlouquecer e como a arte pode nos fazer sobreviver, resistir. Wladyslaw Szpilman, pianista renomado na Polônia da época, sofreu todas as agruras possíveis, viu seus familiares serem encaminhados para destinos que ignorava, mas que sabia serem os piores, sofreu agressões e ameaças de morte, realizou trabalhos forçados e teve que se esconder das perseguições e do desmedido ódio racial nazista em seu próprio país. Só podia dar num grande e premiado filme...
 O Filme
 O ímpeto nazista era tão grande e seus planos tão espetaculares que em poucas horas e alguns dias apenas, a Polônia se encontrava dominada pelos alemães. Não houve tempo útil para que a população pudesse organizar uma resistência e lutar contra o inimigo. Não houve tempo para que Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody, em atuação marcante que lhe rendeu o Oscar de melhor ator) e sua família tentassem fugir e se refugiar em países neutros.
 Szpilman era um admirado pianista que tinha um programa na rádio polonesa. Homem de hábitos finos, de bom nível cultural, tinha compleição física frágil e elegância reconhecida. Sabia que teria pouca ou nenhuma condição de sobreviver caso se tornasse prisioneiro dos alemães. Carregava consigo, porém um estigma que o tornava um alvo potencial da fúria germânica, era judeu.
 Como praticamente todos os judeus poloneses que viviam na capital do país, acabou sendo aprisionado e submetido à vida no gueto de Varsóvia. Respeitado e reconhecido entre seus compatriotas por suas habilidades musicais, foi tirado das filas que levavam os prisioneiros para o extermínio em campos de concentração como Treblinka ou Auschwitz. Ao invés de ser condenado a morte, foi transformado em escravo. Carregava tijolos e apanhava dos comandantes nazistas. Resistia e alimentava o sonho de participar de uma frente polonesa que enfrentasse os nazistas, mesmo que isso significasse a morte para todos.
 Diferentemente de seus companheiros, consegue fugir do gueto. Isso não significou para ele que sua vida estava garantida e nem, tampouco, que estaria longe das dificuldades próprias da guerra. Pelo contrário, sua luta pela sobrevivência estava apenas começando...(CineWeb).

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