quarta-feira, 26 de março de 2014

HISTÓRIA DA REPÚBLICA DOMINICANA

Um dos menores países da América, a República Dominicana ocupa lugar estratégico nas rotas marítimas entre América e Europa e entre o canal do Panamá e os Estados Unidos.
Situada na ilha de Hispaniola, a maior das Antilhas depois de Cuba, a República Dominicana tem superfície de 48.443km2, quase dois terços da ilha. O restante corresponde ao território do Haiti. Seus limites são, a leste, a ilha de Porto Rico, da qual está separada pelo canal de Mona; ao norte, o oceano Atlântico; ao sul, o mar das Antilhas; e a oeste, o Haiti. Está separada de Cuba pelo estreito de Barlavento, de 77km de largura, e da Jamaica, pelo canal da Jamaica, de 170km de largura.
Quando Cristóvão Colombo descobriu a ilha, em 1492, batizou-a como Hispaniola, forma latina de Espanhola. Logo fundou um núcleo e expulsou os índios que ali habitavam. Ao voltar de uma viagem exploratória pela região, encontrou o núcleo destruído. Mandou matar o cacique Guatinguaná e a maioria de seus homens, capturou cerca de 500 deles e os levou para a Europa a fim de vendê-los como escravos. Foi Colombo também quem iniciou a colonização da ilha, com gente, gado e sementes. Hispaniola foi a pioneira, na América, da indústria do açúcar, que entrou em operação na ilha em 1515 e em meados do século XVI já contava com 25 engenhos. Quando o governo espanhol entrou em conflito com os Países Baixos, principal mercado consumidor do açúcar, e proibiu a venda do produto a esse país e a Flandres, arruinou a economia de Hispaniola, que perdeu boa parte da população.
Os holandeses ocuparam o espaço vazio e iniciaram  intenso contrabando, com a troca de produtos manufaturados por peles. Como forma de defesa, o governo espanhol ordenou que a população se concentrasse na região leste da ilha e exterminasse os rebanhos de que não pudesse cuidar. Mas como as pastagens da ilha eram excelentes, o gado se multiplicou de tal forma que não foi possível cumprir a ordem. Deixado à solta no oeste de Hispaniola, o gado alimentou os franceses que ali chegaram e que em 1590 foram expulsos pelos espanhóis da pequena ilha de San Cristóban, hoje Saint Kits. A ocupação francesa deu origem ao Haiti.
Os dominicanos viviam da venda de gado e fumo aos franceses do oeste da ilha, em meados do século XVIII. Em 1791 uma rebelião haitiana acabou por dominar toda a ilha. Em 1795, a Espanha cedeu à França a totalidade de Hispaniola, pelo Tratado de Basiléia. O governador espanhol se negou a entregar São Domingos até que, em 1801, Toussaint Louverture, líder da independência do Haiti, passou a controlar toda a ilha.
O Haiti tornou-se independente da França em 1804, mas a parte espanhola permaneceu em poder das forças francesas 1821, quando o governador da zona espanhola da ilha, José Núñez Cáceres, proclamou a independência do Haiti Espanhol e em seguida enviou um representante do novo governo para entrevistar-se com o líder dos movimentos pela independência de outros países da América do Sul, Simón Bolívar. A entrevista nunca se realizou e, por esse motivo, não se pode ligar a luta pela independência de São Domingos à do restante da América espanhola.
O período seguinte foi marcado pela invasão haitiana em 1829, mas em 1844 a resistência local triunfou e instituiu, em 27 de fevereiro, a República Dominicana, que nos anos seguintes seria alvo de novos ataques haitianos.
No final do século XIX os americanos passaram a investir na indústria açucareira e em ferrovias. Ulysses Heureaux, que governava o país de forma ditatorial, foi morto por Ramón Cáceres, que lhe sucedeu e foi também assassinado. Iniciou-se então uma série de guerras internas, interrompida pela primeira invasão americana, cujo objetivo foi garantir a aquisição de terras para cultivo de cana-de-açúcar. Os Estados Unidos passaram a governar a República Dominicana por meio de um comandante militar. Com a queda dos preços do açúcar no mercado internacional, em 1920, os americanos promoveram eleições e em 1924 deixaram o país. Em 1930 o presidente eleito, Horacio Vásquez, foi deposto pelo comandante do Exército, Rafael Leónidas Trujillo, que, diretamente ou por intermédio de prepostos, governou o país até ser assassinado, em 1961. Durante esse período, Trujillo estimulou a industrialização e favoreceu os interesses americanos. Seu sucessor, Joaquín Balaguer, foi deposto por pressões externas, principalmente dos Estados Unidos, e o mesmo destino teve o presidente seguinte, Juan Bosch.

A partir de então seguiu-se uma série de governos militares, interrompida pela rebelião cívico-militar de abril de 1965, que exigiu o restabelecimento da constituição de 1968. Sob a alegação de que se tratava de movimento comunista, apesar de liderado pelo coronel Francisco Caamaño Deño, o governo dos Estados Unidos determinou nova invasão. Em seguida a força americana foi substituída por uma "força de paz" da Organização dos Estados Americanos (OEA), comandada pelo general brasileiro Hugo Panasco Alvim e integrada por representantes do Paraguai, Nicarágua, Honduras e Costa Rica. Em julho de 1966 a força retirou-se e Balaguer foi novamente eleito. Em 1973 decretou estado de emergência, ante o desembarque de Caamaño à frente de um grupo de guerrilheiros. Desbaratado o grupo, Caamaño foi morto. Em 1978, pela primeira vez na história dominicana, um presidente eleito, Balaguer, passou o cargo a outro presidente eleito, Antonio Guzmán Fernández, que tentou implantar um programa de reformas econômicas e sociais. Nos anos seguintes, aumentaram os problemas econômicos e a dívida externa. Em 1986 Balaguer voltou a ocupar a presidência da república e, para fugir à dependência econômica da cana-de-açúcar, passou a estimular a produção de café e cacau. Em 1990 foi novamente eleito e conseguiu reduzir os índices inflacionários. O governo reescalonou a dívida externa e procurou diversificar a economia. Apesar de todos os incentivos, ao final da década a taxa de desemprego ainda era grande.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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