segunda-feira, 26 de maio de 2014

A ORIGEM DOS SÍMBOLOS DO CASAMENTO

Quando Kate Middleton entrou na abadia de Westminster, em Londres, em 2011, para encontrar o príncipe William no altar, ela começou a influenciar a escolha de milhares de noivas mundo afora. Foi o que aconteceu nas décadas seguintes ao casamento da rainha Vitória, em 1840, que eternizou o vestido branco e o véu. No entanto, grande parte dos hábitos ligados às bodas vem de muito antes, da Antiguidade e da Idade Média, e é copiada por casais até hoje, independentemente da religião que praticam. Claro que um monte de coisa mudou. Até o século 12, uma simples troca de beijo em público e o anúncio da decisão de união já bastavam para legitimar um matrimônio. Foi só em meados do século 13 que a Igreja incluiu o casamento na sua lista de sacramentos sagrados. Atualmente, mesmo nas cerimônias mais inovadoras, ritos tradicionais continuam na festa, ainda que a sua origem já tenha se diluído com o passar de tantos séculos.
O grande dia
Entenda o porquê de tanta tradição
A ALIANÇA
O círculo sem começo e fim, que representa a eternidade do amor, ganhou força a partir do século 13. A escolha do dedo anelar esquerdo vem da crença de que, nesse dedo, passa uma veia ligada diretamente ao coração. Na Segunda Guerra, os soldados passaram a usá-la para terem uma lembrança das esposas.
O ARROZ
Durante muito tempo, o único objetivo do casamento era gerar herdeiros, o que dava força a costumes em prol da fertilidade. Foi assim que surgiu o ato de jogar arroz, tido pelos orientais como um símbolo de fertilidade há mais de 2 mil anos.
DAMAS DE HONRA
Na Antiguidade, as mulheres se casavam ainda crianças e precisavam de ajuda na hora de se arrumar. Foi por isso que surgiram as damas de honra, que eram da família da noiva. No século 19, elas viraram sinal da elegância de uma cerimônia.
O BUQUÊ
Na Idade Média, era comum a noiva, ao lado de uma comitiva, fazer a pé o trajeto até a igreja. No caminho, ela recebia flores, ervas e temperos e os juntava nas mãos. No século 14, nasceu o hábito de jogar o buquê para as convidadas, uma forma de retribuir toda a sorte desejada aos noivos.
A TRILHA SONORA
A Marcha Nupcial foi composta por Felix Mendelssohn em 1842. Em janeiro de 1858, ela foi tocada no casamento da princesa Vitória com o príncipe Frederick William, da Prússia, e virou tradição. A trilha foi escolhida por influência da mãe da noiva, a rainha Vitória.
O VESTIDO E O VÉU
A suntuosidade do casamento da rainha Vitória fez do branco a cor oficial dos vestidos e véus. Antes de 1840, as noivas usavam qualquer tom, até vermelho e preto. Mas o burburinho na entrada da inglesa na capela do Palácio de St. James é algo desejado pelas noivas até hoje.
DO LADO ESQUERDO
A tradição de a noiva ficar sempre do lado esquerdo do homem no altar também é medieval e está relacionada a questões de segurança e proteção. Com ela nessa posição, o lado direito do noivo ficava livre para que ele pudesse puxar a espada e lutar contra quem tentasse roubar a sua mulher.

A evolução do vestido de noiva
Da túnica às pernas de fora
Na Roma antiga
As noivas ganham uma roupa especial para o dia do casamento. Normalmente, o figurino inclui uma túnica branca e um véu de linho muito fino, conhecido como flammeum.
No início da Idade Média
O vestido de noiva, bastante bordado, surge com o objetivo de exibir a riqueza da família. O vermelho é comum por representar a capacidade de gerar sangue novo.
Na alta Idade Média
O verde vira moda entre as noivas da burguesia, que o usam em busca de fertilidade. Elas também costumam desfilar com o ventre saliente para exibir possibilidade de procriação.
No início do Renascimento
A peça se torna mais suntuosa, com muito veludo e brocado. As cores do brasão da família do noivo são as preferidas para os vestidos. A tiara é um acessório obrigatório.
No fim do Renascimento
O preto é estabelecido como a cor mais adequada para as cerimônias religiosas, inclusive o casamento. Nesse mesmo período, surgem as primeiras peças brancas, consideradas mais elegantes.
No período rococó
Ganham destaque os vestidos com tecidos brilhantes, bordados com pedrarias e babados de renda. Tons pastel, como o lilás, o pêssego e o verde, são as cores preferidas.
Era vitoriana
Quatorze anos após o casamento da rainha Vitória, que contraria a tradição ao vestir branco, o papa Pio IX decreta que todas as noivas devem usar trajes claríssimos para demonstrar a castidade.
Século 20
Eles continuam sendo brancos, mas os modelos ganham flexibilidade total. As tendências da moda dão o caminho e vale tudo - até vestido curtinho.


 Lívia Lombardo (Aventuras na História, abril de 2013).
 

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