sexta-feira, 23 de maio de 2014

SHAKESPEARE APAIXONADO

Que o bardo inglês foi o maior escritor de todos os tempos ninguém duvida. Se o filme "Shakespeare Apaixonado" fez jus ao seu personagem central, existem muitas dúvidas a respeito. Nem mesmo o prêmio de melhor filme concedido pela Academia de Hollywood (o Oscar) parece ter feito do filme uma unanimidade entre os críticos, pelo contrário, muitas foram as pessoas que questionaram a entrega de tão conceituado prêmio a um filme considerado apenas mediano ou razoável.
 Premiações à parte, "Shakespeare Apaixonado" tem muitos méritos e, para os educadores pode se tornar um bom referencial para trabalho em sala de aula. Joseph Fiennes (como William Shakespeare), Gwyneth Paltrow (no papel de Lady Viola, a amada de Will Shakespeare) e o elenco de apoio formam um base sólida para as interpretações. A reprodução de época foi realizada de forma admirável, com os locais por onde circulavam atores, diretores e escritores tendo sido refeitos de acordo com os modelos de época. O figurino é outro rico ornamento utilizado no filme para nos fazer viajar no tempo e sentir os ares da Inglaterra do século XVI.
 A história do filme aborda uma paixão fulminante que teria atingido o grande escritor no momento em que passa por uma crise que não permite a ele escrever. Will precisa desesperadamente produzir uma nova peça teatral para conseguir pagar suas dívidas (pelas quais, inclusive, corre risco de vida), no entanto, esse vazio criativo que o atinge impede que ele termine uma peça entitulada, à princípio, como "Ethel e o pirata". Uma outra preocupação que o aflige refere-se ao fato de que ele parece instado a competir com um outro grande autor daquela época, que desfruta de muito mais prestígio que ele nos meios teatrais londrinos.
 Sua paixão, o grande mote do filme, também lhe causará problemas. Sua amada Lady Viola, pertence a outro nível social (a nobreza) e, está sendo prometida a um importante figurão da região onde mora. O status social, no entanto, não parece ser impedimento para a realização de um amor que desde o primeiro momento contou com uma resposta positiva por parte da bela dama. Através de subterfúgios dignos de Romeu, Will Shakespeare consegue se aproximar de sua Julieta e, concretizar uma bela história romântica.
 Paralelamente a trama central do filme, Shakespeare descobre as peças que lhe permitem, aos poucos, a composição de uma de suas maiores obras, justamente "Romeu e Julieta". A história do filme nos faz crer que, motivado por um romance particular, Shakespeare teria encontrado motivação para realizar um de seus clássicos. Nesse momento o professor que estiver trabalhando com o filme deve esclarecer que a história apresentada no filme é uma peça ficcional. Dessa forma, evita que essas informações sejam encaradas pelos alunos como fidedignas e verdadeiras.
 Se a história do filme utiliza-se de um personagem histórico que realmente existiu e cria situações não verificadas a respeito do mesmo, numa obra de ficção, então qual é o valor educational desse material filmado?
 Poder circular pela Inglaterra desse importante período, verificando as condições gerais em que foram criadas algumas das mais importantes obras do Renascimento Cultural, despertando os alunos para o fato de que essa época traduziu-se em produções imortais de alguns dos maiores pensadores, literatos, cientistas e artistas de todos os tempos.
 Aprofundar o conhecimento sobre Shakespeare, incentivando dessa forma a leitura de textos como "Hamlet", "Otelo", "Sonhos de uma noite de verão", "O Mercador de Veneza" ou mesmo de "Romeu e Julieta", entre tantas outras obras fantásticas produzidas pelo grande escritor inglês. Fazer uma ponte que permita ao aluno entrar em contato com outros grandes literatos do período como Camões ou Cervantes.
 Ampliar a noção de Renascimento Cultural, extrapolando os limites da literatura e permitindo aos alunos associar esse grande momento da história da humanidade a produções na área da ciência (com destaque para os trabalhos de Copérnico, Galileu, Kepler,…), das artes (como podemos deixar de enaltecer as produções de Michelângelo, Rafael, Leonardo Da Vinci,…) ou da filosofia (com as decisivas contribuições de Maquiavel, Hobbes, Descartes,…).
 Além disso tudo, discutir em filosofia ou literatura o maior de todos os sentimentos, o amor. O mais interessante é notar que o brilhantismo da obra de Shakespeare decorre justamente da intensidade e riqueza com que aborda a natureza humana, seus temores e fraquezas, suas virtudes e qualidades, seus rancores e sentimentos (entre os quais, com grande brilho, dedicam-se páginas e páginas ao amor, justamente o tema central do filme).


Nenhum comentário:

Postar um comentário