quinta-feira, 12 de junho de 2014

1968 - A REBELIÃO NO BRASIL

Três meses antes de ocorrer o levante dos estudantes parisienses, no Rio de Janeiro em 28 de março de 1968, um secundarista carioca chamado Edson Luís foi morto numa operação policial de repressão a um protesto em frente ao restaurante universitário “Calabouço”. Deu-se uma comoção nacional. O enterro fez-se acompanhar por uma multidão de 50 mil pessoas, estando presentes inúmeros intelectuais e artistas.
 A partir daquele momento o Brasil entraria nos dez meses mais tensos e convulsionados da sua história do após-guerra. A insatisfação da juventude universitária com o Regime Militar de 1964, recebeu adesão de escritores e gente do teatro e do cinema perseguidos pela censura. As principais capitais do país, principalmente o Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, em pouco tempo se tornaram praça de guerra onde estudantes e policiais se enfrentavam quase que diariamente.Cada ação repressora mais excitava a juventude à oposição. Naquela altura apenas os estudantes enfrentavam o regime pois os lideres civis da Frente Ampla (Carlos Lacerda, Jucelino Kubischek e João Goulart, que estava exilado) haviam sido cassados.
 Em 26 de junho daquele ano 100 mil pessoas - a Passeata dos Cem Mil - marcharam pelas ruas do Rio de Janeiro exigindo abrandamento da repressão, o fim da censura e a redemocratização do pais. A novidade foi a presença de religiosos, padres e freiras, que aderiram aos protestos. A juventude da época dividiu-se entre os “conscientes”, nos politizados que participavam das passeatas e dos protestos, e os “alienados”que não se inclinavam por ideologias ou pela política.
 Em apoio ao regime surgiu o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) de extrema-direita que se especializou em atacar peças de teatro e em espancar atores e músicos considerados subversivos.
 Em outubro, ao organizar clandestinamente o 30º congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), o movimento estudantil praticamente se suicidou. Descobertos em Ibiuna no interior de São Paulo, 1200 foram presos. A liderança inteira, entre eles Vladimir Palmeira, caiu em mãos da policia numa só operação. Como coroamento do desastre, o regime militar, sob chefia do Gen. Costa e Silva, decretou, em 13 de dezembro, o AI-5 (Ato Institucional nº 5).
 Fechou-se o Congresso, prenderam-se milhares de oposicionista e suprimiram-se as liberdades civis que ainda restavam. A partir de então muitos jovens aderiram a luta armada entrando para organizações clandestinas tais como a ALN (Ação de Libertação Nacional), a VAR-Palmares ou dezenas de outras restantes. Por volta de 1972 o regime militar esmagara todas elas, fazendo com que os sobreviventes se exilassem ou fossem condenados a longas penas de prisão.
 Pode-se dizer que a rebelião estudantil, se por um lado precipitou a abolição das liberdades marcando a transição do Regime Militar para a Ditadura Militar, por outro anunciou para o futuro o Movimento das Diretas-já, de 1984, que pôs término aos 20 anos de autoritarismo.

VOLTAIRE SCHILLING

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ARMADURAS MEDIEVAIS

A armadura é a vestimenta destinada à proteção pessoal em uma batalha. O equipamento já estava em pleno uso antes da Idade Média europeia, mas, através dos filmes, livros e música, as armaduras medievais se tornaram provavelmente a versão mais famosa deste aparato bélico.
 No início de seu desenvolvimento, tais armaduras eram muito mais leves e simples, acumulando, com o passar do tempo, vários outros acessórios, o que acabou por torná-las consideravelmente pesadas, algo em torno de 30 quilos para as mais elaboradas. São exatamente estas que costumam povoar o imaginário popular, mas eram reservadas a reis e príncipes, pois eram demasiado caras, e portanto, menos utilizadas. O soldado raso geralmente utilizava simples coletes de couro e peles.
 O tipo básico de armadura era a chamada armadura de malha, que trazia interessantes conceitos. Formada por milhares e milhares de pequenos anéis de ferro interligados sem solda ou rebite, e que envolvia o combatente dos pés à cabeça, ela era eficiente para prevenir cortes e arranhões, e permitia uma liberdade de movimentos maior do que os outros tipos mais complexos. A armadura de malha era composta de hauberk, uma túnica que descia até os joelhos, com mangas compridas terminadas em mitene (luvas), incorporando às vezes um capuz, também de malha, além da coifa (capuz), calças, manto (peça para proteger o pescoço, ombros, parte superior do peito e das costas) e camal, peça semelhante ao manto. Este tipo de armadura era também muito utilizado no Japão Feudal.
 O tipo seguinte era a armadura de cota de placas, cujo reforço está rebitado do lado de dentro de uma cobertura de pano ou couro. Surgida em meados do séc. XIII (embora já usada desde a segunda metade do século XII pelos cruzados), esta armadura foi projetada para impedir um superaquecimento da malha sob o sol e também para evitar sujeira e ferrugem. Ela era composta de uma sobrecota reforçada, uma espécie de poncho largo sem mangas descendo até os joelhos. Este modelo seria aperfeiçoado, por volta do século XIV, tornando-se o chamado gibão de placas, que consistia num colete, geralmente de couro, em cuja parte interna se afixavam as placas. Vestido por sobre a cota de malha, este ficava oculto sob a sobrecota.
 Por fim, o modelo de armadura popularmente conhecido, era a "armadura de placa". O termo na verdade abrange uma enorme família de armaduras, pois qualquer peça que possa ser descrita como composta de uma ou mais placas de metal sem qualquer tipo de cobertura ou forro para uni-las pode se encaixar nesta classificação. Estas peças também são referidas como armaduras brancas pelo fato do metal estar exposto e reluzir a luz do sol. Tais peças surgiram por volta do século XIII, e possuíam um elmo, couraça, grebas (para a parte inferior da perna), manoplas, espaldar (para os ombros), braços, pernas e escarpe, para os pés.
Emerson Santiago.