quarta-feira, 29 de outubro de 2014

HISTÓRIA DA COSTA RICA

A relativa prosperidade econômica e a estabilidade política, assim como o forte enraizamento da tradição cultural hispânica, caracterizam a pequena república centro-americana da Costa Rica.
Situada na porção meridional do istmo da América Central, a Costa Rica limita-se com o mar do Caribe a leste, com o oceano Pacífico ao sul e a oeste, com a Nicarágua ao norte e com o Panamá a sudeste. A superfície do país é de 51.100km2.
A Costa Rica foi descoberta e provavelmente batizada por Cristóvão Colombo, em sua quarta viagem à América, em 1502. Havia na região cerca de trinta mil indígenas, divididos em três grupos: güetares, chorotegas e borucas. Encontrados os primeiros indícios de ouro, usado em ornamentos indígenas, os espanhóis planejaram um núcleo de colonização sob o comando de Bartolomé Colombo, irmão do descobridor. Expulsos logo a seguir pelos indígenas, só conquistaram a região em 1530. Antes de tornar-se província da capitania-geral da Guatemala, em 1540, Costa Rica chamava-se Nova Cartago. Os limites demarcatórios foram fixados entre 1560 e 1573.
Independência. A Costa Rica tornou-se independente a 15 de setembro de 1821 e três anos depois uniu-se, por pouco tempo, ao México. Em 1824 passou a integrar a Federação Centro-Americana, dissolvida em 1838. Nessa época teve início a exportação de café para a Europa, e San José viveu um período de intenso crescimento e prosperidade. Durante a administração do general Tomás Guardia, que governou despoticamente o país entre 1870 e 1882, a Costa Rica atingiu notável desenvolvimento econômico. Incrementou-se o comércio de açúcar e café, construíram-se ferrovias e abriram-se portos para escoar a produção. As plantações de banana, controladas a partir de 1899 pela United Fruit Co., passaram a rivalizar em importância econômica com as de cana-de-açúcar e café. Em 1890 tornou-se presidente José Joaquín Rodríguez; sua eleição foi considerada a primeira inteiramente livre e sem fraudes na América Latina e inaugurou uma tradição de democracia na Costa Rica.
Século XX. O voto direto foi instituído em 1913, mas o candidato à presidência mais votado não conseguiu a maioria e a Assembléia Legislativa  elegeu Alfredo González Flores. Em 1917, um movimento liderado pelo general Federico Tinoco depôs o presidente constitucional e instituiu uma ditadura. Dois anos mais tarde, Tinoco foi forçado a renunciar por pressões internas e do governo americano, que não reconhecera o regime. Sucederam-se presidentes eleitos até 1948, ano em que os resultados eleitorais foram contestados por grupos de esquerda, o que desencadeou a breve guerra civil que levou José Figueres Ferrer ao poder. A junta revolucionária que assumiu o governo aboliu o Exército e criou uma guarda civil, elaborou nova constituição e empossou o candidato vitorioso nas urnas, Otilio Ulate Blanco. Em 1953, José Figueres voltou ao poder, nacionalizou os bancos, impôs restrições à United Fruit e enfrentou uma invasão lançada por seus adversários exilados na Nicarágua. Figueres inscreveu seu nome na história do país com várias décadas dedicadas às reformas sociais, à abertura política para o exterior e aos ideais social-democratas.
Ao longo da década de 1980, a Costa Rica preservou seu regime político, baseado no poder civil legitimado por eleições, mas se enredou em problemas  econômicos e financeiros, dos quais o mais premente foi a dívida externa. No início da década, o país gastava 50% de sua receita de exportação com as despesas financeiras geradas pela dívida. Em maio de 1986, o governo chegou a anunciar uma moratória temporária sobre os juros da dívida externa e, no ano seguinte, lançou um programa de austeridade para tentar salvar as finanças nacionais.

A posição internacional da Costa Rica, que manteve alto grau de independência em relação aos grandes blocos de poder, deu-lhe condições de atuar com bons resultados no âmbito regional. O presidente Oscar Arias Sánchez, eleito em 1986, teve papel de destaque na mediação das guerras civis na Nicarágua e em El Salvador e por seu esforço foi-lhe concedido o Prêmio Nobel da paz em 1987. Em 1989 realizou-se em San José a primeira reunião de cúpula interamericana em 22 anos, para comemorar o centenário da democracia na Costa Rica. Em 1990 Arias foi sucedido por Rafael Angel Calderón Fournier, da oposição.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O SORRISO DE MONALISA

Alguns especialistas chegaram a comparar “O Sorriso de Mona Lisa” ao vibrante e inspirador “Sociedade dos Poetas Mortos”, diziam que esse recente sucesso de Julia Roberts seria a versão feminina do bem-sucedido filme estrelado por Robin Williams e dirigido por Peter Weir. Talvez tenham sido iludidos pela atmosfera dos anos 1950 e pelo ambiente fechado de uma escola para moças, referências parecidas com aquelas percebidas em “Sociedade dos Poetas Mortos” (diferenciando-se apenas pelo fato de que “Sociedade” tem como pano de fundo uma escola de Ensino Médio, exclusiva para garotos, enquanto “Mona Lisa” retrata uma faculdade para moças).
 A despeito de eventuais semelhanças, “Mona Lisa” não é um filme cujo principal enfoque está na educação libertadora, esclarecedora, em que se pretende que os estudantes percebam a riqueza da literatura ou da poesia como elementos definidores da essência da humanidade. Há alguns momentos e ações que nos levam a crer que a personagem Katherine Watson, vivida por Julia Roberts, tem perfil assemelhado ao do professor John Keating (Robin Williams) do filme de Weir (“Sociedade”).
 Ela também está imbuída da idéia de que através de suas aulas é possível dar maior autonomia e preparo para que suas alunas enfrentem o mundo. Sua personagem também é obrigada a renovar o fôlego do curso que ministra com algumas variações didáticas pouco comuns ao universo da faculdade em que trabalha. A jovem professora de história da arte vivida por Roberts é, entretanto, muito mais que uma profissional em busca de renovação em seu trabalho pedagógico, ela é o protótipo de mulher moderna, livre, desimpedida e que quer quebrar as barreiras do mundo machista em que vive.
 Julia encarna um feminismo antecipado em alguns anos. É uma mulher que está além de seu tempo e que não se conforma com o fato de suas alunas irem a faculdade para estudar sem as perspectivas futuras de tornarem-se profissionais e ingressarem no mercado de trabalho. Não há outro desejo nas estudantes que freqüentam suas aulas senão o de se tornarem futuras esposas, dedicadas e preparadas para transformar a vida de seus maridos numa existência confortável onde as aparências são mantidas (mesmo que cinicamente) a qualquer custo (ainda que isso signifique o sacrifício de suas honras e esperanças).
 “O Sorriso de Mona Lisa” é um libelo em favor da emancipação das mulheres e uma pesada crítica ao conformismo que imperava entre as representantes do sexo feminino durante os anos 1940 e 1950. Olhamos para trás e percebemos que por trás de toda aparente felicidade dos lares americanos daquele período existiam mulheres restringidas em suas capacidades mesmo depois de terem sido convidadas a participar mais ativamente da sociedade em que viviam durante os anos da 2ª Guerra Mundial (quando os homens foram aos campos de batalha enfrentar os nazistas na Europa e muitas das funções exercidas por eles foram repassadas para mulheres).
 A emancipação do jugo masculino, oferecida em virtude dos conflitos vividos em terras européias, era um blefe, uma necessidade de momento, em relação a qual houve um retrocesso considerável na década seguinte. “O Sorriso de Mona Lisa” nos leva a esse universo mascarado e também ao esforço de algumas mulheres (personificadas na professora de história da arte vivida pela estrela Julia Roberts) para não deixar que as conquistas de alguns anos atrás fossem perdidas para sempre...
 O Filme
 Katherine Watson (Julia Roberts) é uma jovem professora de história da arte contratada por uma tradicional escola preparatória de jovens mulheres para ingressar em universidades. O Wellesley College realiza uma prática tradicional no ensino de 3° Grau nos Estados Unidos ao preparar de uma forma geral e ampla seus alunos para as escolhas profissionais especializadas que seguirão nas universidades. Há vários cursos oferecidos e os estudantes têm a opção de escolher aqueles que mais lhes agradam e se relacionam com as profissões que pretendem exercer no futuro.
 Watson entra na instituição motivada pela possibilidade de fazer com que suas estudantes estejam bem preparadas não apenas para os futuros cursos universitários pelos quais irão optar, mas também para o exercício de cidadania e igualdade de oportunidades que deve imperar na sociedade americana. Ela mesma se sente parte da realização desses sonhos. É independente, não se casou (o que motiva comentários maldosos ao longo de sua estadia no Wellesley College), se sente profissionalmente estimulada a cada novo desafio proposto a ela,...
 O que ela não imaginava era que iria encontrar em suas alunas o sonho conformista de um casamento feliz sem qualquer perspectiva profissional ou mesmo de aprofundamento nos estudos. Desafiada pelas estudantes em virtude de sua juventude, a professora de história da arte tem que comprovar sua qualidade profissional a cada nova aula, entretanto a despeito de sua luta particular, sente que seus esforços não redundarão num compromisso de superação da submissão das jovens a sociedade marcadamente machista em que vivem.
 Ao invés da perspectiva de uma vida de realizações pessoais e profissionais conciliada com um casamento equilibrado, as moças parecem mais dispostas a servir de suporte para o sucesso de seus maridos e se conformar com o conforto material e a prosperidade financeira obtida pelos mesmos. O sonho da maioria delas é ter uma casa equipada com as novidades mais recentes em eletrodomésticos e uma festa de casamento celebrando socialmente uma união feliz e eterna (mesmo que isso signifique aceitar traições e ter que continuar sorrindo e fingindo desconhecimento de causa).
 “O Sorriso de Mona Lisa” é instigante por nos mostrar o cinismo e a hipocrisia que reinavam em muitos lares americanos onde as mulheres eram passadas para trás e nem ao menos podiam correr atrás de suas realizações pessoais e profissionais. Parece mais com “Beleza Americana” com algumas pitadas do sonho de “Sociedade dos Poetas Mortos” percebidas na professora Katherine Watson. Ainda bem que as mulheres conseguiram superar tudo isso...


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A VIDA DE ALEXANDRE, O GRANDE

A vida do maior líder militar da Antiguidade revela as investidas de um conquistador nato, temperamental e inquieto mesmo fora dos campos de batalha
Celso Miranda e Ernani Fagundes | 01/02/2011 12h42

Nos últimos anos, as produções de Hollywood têm mostrado, como nunca, a vida íntima de personagens históricos. E sem muito compromisso com a verdade. Mas, antes de jogar pedra na liberdade criativa dos cineastas, vale lembrar que antes deles, por exemplo, pintores criaram a imagem de Alexandre III, o Grande, como um cara bonitão, sarado e inspirador. Quem assiste a Alexandre (Oliver Stone, 2004) é tão inocente quanto os apreciadores dos artistas do século 17, que o mostram em haréns ou promovendo bacanais. Numa recente polêmica sobre a presença de gays no Exército brasileiro, um ex-sargento desavisado, certamente influenciado pelo cinema, garantiu que o soberano era homossexual. Onde estará a verdade? Onde investigar para conhecer melhor a vida privada de Alexandre e sua personalidade? A forma mais segura é mirar os textos que compilaram os originais do grego para o latim, como fizeram os historiadores romanos, ou os fragmentos gregos escritos por fontes diretas que conviveram com o rei (isso não garante a verdade absoluta, claro, mas reduz o risco de bobagens) e procurar evidências que comprovem ou desmintam o que lhe é atribuído. É o monarca que surge daí que você conhece a seguir.
Alexandre sempre foi retratado por historiadores gregos e romanos como um homem cortês e respeitoso com as mulheres. Até os 20 anos, porém, não parecia preocupado com descobertas amorosas. Sua vida era controlada pela mãe, Olímpia, que vigiava sua educação e saúde. "Como qualquer mãe, a rainha anotava a altura e o peso do príncipe e acompanhava seu crescimento", diz Victor Davis Hanson, da Universidade de Chicago. Alguns autores concluem por isso que o rapaz era pequeno para a idade, ou Olímpia, superprotetora. Aos 13 anos, ele foi entregue ao pai, o rei Felipe II, da Macedônia, que determinou sua rigorosa educação militar. "Alexandre teve ainda lições de matemática, retórica e filosofia com Aristóteles", afirma Hanson. O tutor foi influência decisiva na formação do soberano, mas eles podiam ter visões de mundo distintas. Até sobre as mulheres (leia à pág. 31). O historiador romano Diodoro Sículo, que viveu no século 1 a.C. (200 anos depois da morte de Alexandre, em 323 a.C.) diz que, após o assassinato de Felipe, em 336 a.C., o jovem rei foi aconselhado pelos generais de seu pai, Antípatro e Parmênio, a se casar e a produzir um herdeiro aos 20 anos. Ele, que iria partir para o Oriente numa campanha militar histórica contra os persas, preferiu continuar solteiro: "Seria uma vergonha, apontou, depois de citar que tinha sido nomeado pela Grécia para comandar a guerra e herdado forças invencíveis de seu pai, ficar em casa comemorando um casamento e aguardando o nascimento de uma criança", escreveu Diodoro.
No entanto, o moço não era alheio ao charme feminino. Plutarco, escritor grego do século 1, relata que, após a destruição de Tebas, Alexandre deixou que uma mulher, Timocleia, partisse da cidade só porque, com o perdão do trocadilho, não tinha nada de mocreia: "Vendo-lhe o rosto, o porte e o andar, a princípio julgou que era uma dama de honra, enquanto ela caminhava com segurança (...) Maravilhado, mandou que a deixassem ir em liberdade para onde quisesse".
Ao pé da letra, os textos históricos garantem: a primeira mulher que Alexandre conheceu in natura foi a bela Barsena, viúva de seu inimigo Mêmnon, comandante das tropas mercenárias gregas e persas na batalha do rio Granico. Ela foi apresentada após a captura do tesouro real persa de Dario III, em Damasco. Segundo Plutarco, ela "era sábia em literatura grega, doce e graciosa (...). Alexandre conheceu-a por sugestão de Parmênio, conforme escreve Aristóbulo, que lhe solicitou travasse relações com tão bela e nobre dama". Na narrativa de Aristóbulo (contemporâneo de Alexandre), a insistência do general Parmênio em conseguir uma mulher para seu rei faz supor que ela inicia o rapaz no amor, aos 23 anos, em 333 a.C.
Depois ele não parou mais e até foi seduzido pelos pedidos femininos. A amante de seu amigo e general Ptolomeu, a africana Taís, lhe dirigiu gracejos no palácio de Persepólis durante uma bacanal (a festa de Baco, o deus do vinho) - "Um festim de músicas a que até as concubinas de seus amigos compareceram" - e ele, embriagado, atendeu, mandando botar fogo na cidade para depois arrepender-se da destruição (leia às págs. 32 e 33). Mas o auge de seu encantamento pelas mulheres acontece após a morte de Dario. Sem a preocupação de enfrentar um grande oponente no campo de batalha, adotou o costume persa do harém. Diodoro relata que ele reuniu concubinas "em número não inferior aos dias do ano e destaque em beleza, selecionadas de todas as mulheres da Ásia. Cada noite, elas desfilavam em torno do divã do rei para que ele pudesse selecionar aquela com quem iria ficar à noite". A fama do harém correu o mundo helênico e gerou até a lenda de que uma rainha amazona chamada Thallestris foi a seu encontro no acampamento da fronteira da Hyrcânia (veja à pág. 34) com o intuito de conseguir um filho e se "consorciou com ele por 13 dias". Plutarco investigou as fofocas e deu a versão de Ptolomeu: "Dizem que tudo isso é falso (...) e parece que Alexandre mesmo, disso dá o seu testemunho porque, escrevendo a Antípatro (...) ele lhe diz que o rei da Cítia lhe queria dar a filha em casamento, mas não faz menção alguma a amazonas".
Vários costumes assumidos por Alexandre causavam estranheza aos companheiros. "O rei foi muito criticado pelo fato de exigir de seus súditos que se prostrassem diante dele. Isso horrorizava os gregos. Para eles e até entre seus generais macedônios, os costumes orientais utilizados por Alexandre eram traços que representavam a barbárie", diz Maria Beatriz Borba Florenzano, diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. "Ele chocou os gregos com um conceito muito avançado para a época. Ao aceitar orientais para seu Exército, disse, na Babilônia, que todos os homens são iguais", afirma o historiador José Luciano Cerqueira, da UFPE.


Marketing pessoal


O que se pode dizer da personalidade de alguém que se tornou general aos 16 anos, rei aos 20 e subjugou um império? Ele não apenas adotou e impôs novos costumes, como também promoveu um intenso intercâmbio cultural entre o Ocidente e o Oriente. "Alexandre foi um grande difusor do conceito de helenidade e seu sistema de propaganda está presente em esculturas (como as de seu escultor pessoal, Lísipo) e em moedas que mandou cunhar. Utilizava essas imagens para mostrar sua força física e o vigor em suas vitórias", diz Florenzano. "Costumava usar nas moedas as imagens de Zeus e Athena, seus deuses protetores, e também a do herói Hércules, que, na prática, era o retrato de Alexandre disfarçado." Cunhada ou esculpida, sua feição remetia ainda à de um leão.



De acordo com José Cerqueira, havia dois tipos de grego: os apolíneos (de Apolo), voltados à razão, e os dioníseos (de Dionísio, equivalente a Baco). "Alexandre estava nesse segundo grupo (como se vê pelas bacanais, que adorava). Sua ansiedade de conquistar tudo o angustiava", diz Cerqueira. "Ele tinha uma presença de espírito muito grande. Antes do início da campanha, ele foi consultar um oráculo. A pitonisa o mandou esperar na fila. Ele foi lá várias vezes, puxá-la pelo braço, para que fosse atendido. Depois de muita insistência, ela reclamou com ele: Com você, Alexandre, não há quem possa. Ele retrucou: Não preciso de mais respostas, já me disse o que precisava saber."

Muitos casamentos



Alexandre abandonou todas as suas concubinas quando se apaixonou por Roxana, filha do rei bactriano Oxyartes, irmão de Dario. Grande dançarina, ela o enfeitiçou numa apresentação assim que se conheceram. Foi seu primeiro casamento. Ainda durante a campanha na Índia, Aristóbulo relata que ele se casou com Parysatis, a filha caçula de um rei chamado Ochus, mas dela nada mais se sabe. Provavelmente, o ciúme de Roxana (ele sim relatado) deixou a rival no meio do caminho. De volta da Índia, Alexandre se casou em Susa com a filha mais velha de Dario, Estatira, e também com a mais nova, Barsine. Historiadores gregos e romanos alegam que esses casamentos eram uma forma política de Alexandre legitimar o trono persa (ou seja, uma jogada diplomática) e resultado de seu descontentamento por Roxana demorar a lhe conceder um herdeiro. Para o historiador grego Arriano, Alexandre mostrou o interesse de ter herdeiros. "Ele desejava que seus filhos e os de Heféstion fossem primos de primeiro grau." O rei aproveitou a ocasião de seu casamento com Estatira e Barsine para casar os seus companheiros de batalha (Heféstion, Crátero, Pérdicas, Ptolomeu, Eumênio, Nearcos e Selêuco) e, afirma Diodoro, a festa de núpcias foi sensacional: "Ele repartiu igualmente todas as demais damas persas, de sangue nobre e da mais alta linhagem, aos maiores de seus amigos. (...) Nesse banquete, escreve-se que havia 9 mil pessoas sentadas à mesa e a cada uma delas foi dada uma taça de ouro".
Segundo Plutarco, quem não gostou dos casamentos foi Roxana. Após a morte do marido, em 323 a.C., ela tratou de eliminar as concorrentes. Grávida do rei, enganou Estatira, forjando uma carta de Alexandre. Chamou-a ao palácio e "matou-a, ela e sua irmã mais nova, e depois jogou-lhes o corpo dentro de um poço". Quem diria! Quatro esposas rainhas e um harém. Alexandre era mesmo um grande conquistador.




Amor materno
Longe de Olímpia, ele adotou novas mães por onde passava
A pioneira no coração de Alexandre, claro, foi Olímpia, sua mãe e primeira esposa de Felipe II. Plutarco a retratou como uma feiticeira que criava serpentes, mas também como uma mãe que defendia o trono do filho e Alexandre a amava muito por isso. Mas a relação foi abalada após suspeitas investigadas por Aristóteles sobre a morte de Felipe: é que ela ordenou o assassinato da segunda esposa do marido. Alexandre partiu à Ásia brigado com a mãe, mas fizeram as pazes por cartas. Nelas, ela dava conselhos, demonstrava ciúme de Heféstion e não aceitava as noras como rainhas. Acabou assassinada após a morte do filho. Na Ásia, Alexandre "adotou" várias "mães". A primeira foi Ada, regente da Cária, durante a campanha na Ásia Menor. Obteve, assim, segundo Diodoro, o apoio dos carianos contra os persas. Ela costumava mimá-lo, oferecendo quitutes. Já Sisygambis, a mãe de Dario, foi tratada como rainha-mãe após a vitória na batalha de Issus. Alexandre manteve regalias e a nomeou tutora das netas, com quem se casaria mais tarde. Ao saber da morte do rei, ela teria se suicidado parando de comer. "Ele tratava muito bem as mulheres. Diferentemente de seu tutor, Aristóteles, que as igualava a escravos e bárbaros", diz José Cerqueira.



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

GUERRA DO PRATA

A Guerra contra Oribe e Rosas  ou também conhecida como Guerra do Prata  aconteceu entre 1851 e 1852 na região do rio do Prata, um estuário criado pelos rios Paraná e Uruguai. O Brasil já havia lutado anteriormente na Guerra da Cisplatina (1825-1828) contra as Províncias Unidas do Rio da Prata que resultou na criação do Uruguai.
 O primeiro personagem dessa guerra que inclusive dá nome a Guerra, é Juan Manuel de Rosas que foi eleito o governador de Buenos Aires, uma das províncias mais ricas e populosas e ainda contava com um importante porto na época. Seu governo era o de um perfeito ditador, caracterizado pela corrupção e resultando em uma emigração em massa de 14 mil opositores. Os planos de Rosas eram audaciosos, ele queria recriar o antigo Vice-Reinado do Prata, que abrangia territórios do Uruguai, Paraguai e Bolívia e garantir assim que a Argentina se tornasse a principal potência da América do Sul.
 Quanto ao Paraguai, Rosas logo resolveu este problema. Este país declarou sua independência em 1811, mas nenhum outro o reconheceu. O ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia isolou o país, evitando contatos com o exterior e possíveis ações diplomáticas. Quando este morreu, Carlos Antonio López o sucedeu e abriu as suas portas para a Argentina assinando dois tratados, porém como o ditador Rosas não estava para brincadeira se recusou de reconhecer o Paraguai como independente e criou barreiras para o comércio deste país.
 O Uruguai antiga província Cisplatina, também enfrentava problemas, mas nas eleições para o seu primeiro presidente. De um lado o candidato Fructuoso Rivera, do partido Colorado e do outro o responsável pela independência da Cisplatina, Juan Antonio Lavalleja, do partido Blanco. Rivera num ato de desespero tentou tomar o poder a força, o que durou dois anos (1830-1832) e finalmente conseguiu a presidência que tanto desejava.
 Depois de cumprir seu mandato até 1835, Manuel Oribe também do partido Blanco assumiu o poder por alguns anos, já que renunciou em 1839 deixando o posto livre novamente para Rivera.
 O ditador argentino enviou um exército liderado por Lavalleja que não teve êxito. Rosas então enviou outro exército com a ajuda de argentinos e de uruguaios liderados por Oribe. Desta vez Rivera não teve tanta sorte e procurou exílio no Brasil, enquanto mais de trinta mil pessoas eram mortas.
 Mesmo com o Uruguai em suas mãos, Rosas queria mais e passou a atacar o Sul do Brasil. O Brasil, cujo imperador era Dom Pedro II, então teve que tomar as suas medidas. Mandou uma parte do seu exército para o Sul e tinha como plano financiar os oponentes. A aliança começou a ser formada, Dom Pedro contava com o apoio da Bolívia, Paraguai (sendo que o Brasil enfim reconheceu a sua independência), Uruguai (opositores internos) e com as duas províncias argentinas: Entre Rios e Corrientes.
 O exército brasileiro se armou para o confronto, uma parte ficou na fronteira para protegê-la e outra foi para o Uruguai tirar Oribe do poder. No dia 19 de outubro de 1851, diante do tamanho do exército que vinha ao seu encontro, Oribe se rende sem luta.
 Então as forças armadas seguem rumo a Argentina para tirar Rosas do poder. Chegam próximo de Buenos Aires no dia 1º de fevereiro de 1852 e derrotam a primeira força rosista que encontram. Dois dias depois, houve uma nova batalha chamada de Batalha de Monte Caseros, sendo que desta vez o exército argentino era liderado pessoalmente por Rosas. Os aliados ganharam a disputa e Rosas fugiu para o Reino Unido, sem que ninguém soubesse.
 A Guerra Contra Oribe e Rosas foi importante para o Brasil, já que na época enfrentava-se a vontade do Rio Grande do Sul de se separar do país, mas com este estado participando ativamente, fez com que se integrasse de vez ao Brasil. Além disso, provou a hegemonia do país e a sua estabilidade política e econômica.
Cristine Delphino 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

COMO A ETIÓPIA DERROTOU OS COLONIZADORES ITALIANOS EM BATALHA

Em 1896, o exército etíope impôs uma derrota humilhante às forças italianas na África. O país assumiu dimensões míticas para a libertação do continente - e os resultados ainda podem ser ouvidos em seu rádio
Texto Fabio Marton | Design Lui | 05/12/2012 15h44
As tropas italianas avançavam para suas posições na madrugada de 1º de março de 1896, na confiança de atuarem contra pouco mais que um bando de selvagens. Acreditavam que estavam em missão de levar a civilização aos africanos. Do outro lado, o avanço foi recebido como uma grata surpresa. Às 5h30 da manhã, um mensageiro chegou esbaforido à tenda do imperador Menelik II, contando que os europeus se preparavam para atacar. O rei tomou alguns minutos para rezar, agradecendo a Deus e, quem sabe, a São Jorge, o padroeiro da Etiópia, pela estupidez de seus inimigos. Começava ali a Batalha de Adwa, a mais importante da história da África subsaariana - e que não levaria muito tempo: acabou antes do almoço. "A Batalha de Adwa ocupa um lugar único na historiografia africana e etíope", escreveu o pesquisador etíope Tsegaye Tegenu, da Universidade de Uppsala, na Suécia, na comemoração dos 100 anos do enfrentamento.
A Etiópia é um país que data de tempos bíblicos. O reino de D'mt (980-400 a.C.) tinha territórios na Etiópia, Eritreia e Iêmen, na Península Arábica. De lá teria saído a rainha de Sabá, mencionada na Bíblia, que visitou o rei Salomão em Jerusalém. Apesar de a história bíblica mencionar um contato nos limites da diplomacia, a versão etíope é diferente: a rainha de Sabá voltou grávida - e daí nasceu a linhagem nobre da nação. O reino de D'mt foi sucedido pelo Império de Axum, que durou até 940, após o que houve uma sucessão de dinastias. Reinos e territórios foram e vieram, mas três coisas se mantiveram: os imperadores (ou negusa nagast, o "rei dos reis") eram descendentes de Salomão. Falava-se o amárico (língua semita com alfabeto próprio) e o reino era cristão, na tradição da Igreja Ortodoxa Etíope - eles se converteram no século 3, antes de o cristianismo se tornar oficial em Roma.
A Itália era uma nação novata no século 19. Dividida ou conquistada desde a queda do Império Romano, em 476, só foi unificada pelo rei Victor Emanuel II, em 1870. Era um país agrário e pobre. Pelo menos 25 milhões de italianos haviam migrado para outros países, inclusive o Brasil. Para não ficar para trás, a Itália se envolveu na última moda entre as potências europeias: a criação de colônias na África. Eram os tempos da "corrida pela África", na qual os países da Europa Ocidental dominaram absolutamente todo o continente, entre 1880 e 1900. E tinham pressa. Segundo o sociólogo e historiador Donald Levine, da Universidade de Chicago, "a Itália estava desesperada por territórios".
Em meio à corrida, só mantiveram sua independência Etiópia e Libéria, esta uma invenção recente dos Estados Unidos, datada de 1847, quando antigos escravos voltaram para a África. Isso não quer dizer que a Etiópia havia escapado intacta da sanha colonialista. O país perdeu seu acesso ao mar em 1559 para o Império Otomano, numa guerra em que tiveram os portugueses como aliados. Em 1884, o Reino Unido arrastou o imperador etíope Yohannes IV para um conflito contra os fanáticos mahdistas do Sudão. (Os sudaneses acreditavam que seu líder, Muhammad Ahmad, era o messias islâmico - o mahdi.) Em troca, os ingleses reconheceriam a soberania etíope sobre o litoral. Os ingleses não cumpriram a promessa - em vez disso estimularam os italianos a colonizar a costa, para fazer frente a seus adversários franceses, que dominavam a Somália. Os etíopes tentaram resistir. Em 1887, 7 mil deles massacraram uma força de 500 soldados italianos em Dogali. Mas, com uma guerra feroz contra os mahdistas, não puderam impor sua presença no litoral. Em 10 de março de 1889, Yohannes morreria na Batalha de Matama. Seus inimigos mahdistas desfilaram com sua cabeça numa lança pelas ruas da capital, Omdurman.
Antes de ser capturado, Yohannes transformou seu sobrinho, Mengesha, em sucessor, afirmando que ele, na verdade, era seu filho. A maioria dos nobres não engoliu a história, entre eles Menelik II, rei de Shewa, vassalo de Yohannes e seu sucessor natural. Em 25 de março, ele se proclamou o verdadeiro negusa nagast e passou o ano em conflito ou negociações com outros nobres etíopes, até ser reconhecido soberano em 3 de novembro. Entre essas negociações, Menelik incluiu o apoio da Itália: em troca de reconhecimento e armas, em 2 de maio ele assinaria o Tratado de Wuchale, que cedia toda a costa aos italianos, que batizaram sua colônia de Eritreia. O tratado, de fato, oferecia um pouco mais: na versão em amárico, seu artigo 17 dizia que o imperador podia fazer uso dos serviços diplomáticos italianos. A versão europeia afirmava que ele só poderia fazer diplomacia por meio da Itália, efetivamente transformando-o em vassalo do rei da Itália. Menelik logo soube da diferença, mas preferiu fingir-se de bobo enquanto consolidava seu poder, importando mais armas dos europeus, inclusive dos supostos aliados.
Em 1893, declarou que o tratado não valia. Os italianos responderam movendo tropas para a fronteira e invadindo a Etiópia. Em 13 de janeiro de 1895, puseram para correr uma tropa de Mengesha Yohannes, o "filho" do imperador anterior, ainda que estivessem em menor número. Foi a única vitória europeia. Ao longo do ano, os italianos recuaram para posições defensivas. Em dezembro, estavam perto de Adwa. Por semanas, esperaram que os etíopes atacassem, mas Menelik era experiente e aguardou - tanto que estava prestes a levantar acampamento, porque os suprimentos estavam acabando e o moral da tropa, baixo. O general italiano, Oreste Baratieri, veterano das guerras de unificação da Itália, também manteve posição. Mas o governo italiano achou a situação vergonhosa. No final de fevereiro, Baratieri recebeu ordem para atacar.
Assim, na noite de 1º de março de 1896, 18 mil italianos abandonaram as fortificações e se moveram pelas colinas de Adwa, mas seus mapas eram precários e as forças acabaram isoladas. "A força italiana perdeu não por erro tático, escreveu Tsegaye Tegeunu. "A principal razão é que, de diversas formas, eles não conheciam o inimigo que estavam confrontando". Esperavam encontrar 30 mil etíopes e havia mais de 100 mil, 80% com armas modernas. Foi um massacre. Horas depois, 7 mil deles estariam mortos, 1,5 mil feridos e 3 mil capturados.
A guerra acabou aí. Os generais de Menelik insistiram para que rumassem para a Eritreia, mas o negusa nagast sabia que os italianos teriam recursos para reagir se provocados - e ele provavelmente tinha razão. As notícias da derrota causaram comoção na Itália, com protestos, baderna e a renúncia do primeiro-ministro Francesco Crispi. Baratieri enfrentou a corte marcial, mas foi inocentado. Em 23 de outubro, o Tratado de Addis-Abeba deu fim à guerra e reconheceu a soberania etíope.
Para os negros, a Etiópia assumiu dimensões míticas. Era um exército africano, de diversas etnias, vencendo os colonialistas brancos. "A Etiópia começou a ser vista como a terra da pureza, onde o cristianismo não foi corrompido pela escravidão", diz Patrícia Teixeira Santos, do departamento de História da Unifesp e do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. "Nos anos 60 e 70, a Etiópia se tornou símbolo do pan-africanismo."
Do lado italiano, sobrou um ressentimento de sérias consequências. "Foi um profundo vexame, uma humilhação que eles nunca esqueceriam", diz Levine. "Mussolini surgiu com o discurso de restaurar o orgulho italiano." Em 1936, Il Duce comandou uma nova invasão da Etiópia, na qual foram usadas armas químicas. Os italianos conquistaram o país até 1941, quando os britânicos retomaram-na para os etíopes. Segundo Levine, "é quase consenso" que Hitler tomou a fraca reação internacional à invasão da Etiópia como sinal verde para invadir a Polônia, em 1939. "Adwa é tão importante para os movimentos de libertação dos negros quanto para a ascensão do fascismo e do nazismo" diz Levine.
O culto vem de longe

Na Jamaica, o culto à Etiópia foi longe. O movimento rastafári surgiu nos anos 30, com a ideia que as histórias da Bíblia se passam na Etiópia. Os etíopes são o povo escolhido. O nome de Deus é Jah, a maconha é sagrada e o imperador Haile Selassie, chamado de Ras Tafari antes da coroação, era Jesus Cristo reencarnado. Em 1966, Selassie visitou a Jamaica, se assustou com a recepção calorosa, mas tratou bem os rastas. Rita Marley se converteu e convenceu o marido a aderir à nova religião. Assim, Bob Marley se tornou o maior apóstolo rasta, até ser batizado como cristão ortodoxo etíope em 1980, um ano antes de morrer. A presença da Igreja na Jamaica foi iniciativa de Selassie, incomodado com essa conversa de Messias.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

HISTÓRIA DE PORTO RICO

Ligado aos Estados Unidos por múltiplos laços de natureza econômica e política, Porto Rico é uma das terras de mais rica história nas Américas e conserva vivas as tradições de seus antigos colonizadores espanhóis.
O Estado Livre Associado de Porto Rico é a mais oriental e menos extensa das Grandes Antilhas. Encontra-se a leste de Santo Domingo (a antiga  Hispaniola), de que se separa pelo canal da Mona, de cerca de 130km de largura, e a oeste das ilhas Virgens, a mais próxima das pequenas Antilhas. Com uma superfície de 9.104km2, a ilha, que apresenta uma forma aproximadamente retangular, tem 180km entre ponta Puerca, no extremo leste, e ponta Higüero, no extremo oeste, e cerca de sessenta quilômetros de largura média no sentido norte-sul.
As costas, que totalizam 1.126km, são em geral baixas e pouco recortadas, apesar do caráter predominantemente montanhoso da ilha. O litoral setentrional é banhado pelo oceano Atlântico e o meridional pelo mar do Caribe (ou das Antilhas). Paralela à costa atlântica, e próxima a esta, estende-se a fossa oceânica de Porto Rico, que alcança mais de nove mil metros de profundidade.
Pertencem administrativamente ao estado porto-riquenho as ilhas próximas de Mona, Vieques e Culebra, situadas diante de suas costas orientais, e Mona, no canal de mesmo nome, entre Porto Rico e Santo Domingo, além de outras ilhotas menores, em geral desabitadas (Monito, Desecheo, Caja de los Muertos e Cayo Berberio). Sua capital é San Juan.
Porto Rico
Antes da chegada dos espanhóis, Porto Rico era habitada por índios aruaques, O nome nativo da ilha era Borinquén, ocasionalmente revivido em poesias e letras de músicas no século XX.
Descoberta e conquista. Em sua segunda viagem, Colombo descobriu a ilha que chamou de San Juan Bautista, ou Juana, e dela tomou posse em novembro de 1493, em nome dos reis católicos da Espanha. A conquista só começou em 1508, com Juan Ponce de León, que fundou San Juan de Puerto Rico. Os índios foram distribuídos pelos conquistadores em encomiendas (prestação obrigatória de trabalho), para fornecer alimento e ouro de lavagem.
Em 1511, foi esmagada a primeira rebelião indígena e já em 1518 importaram-se escravos negros para substituir a mão-de-obra dos índios, dizimada pelos maus-tratos ou pelas epidemias trazidas pelos espanhóis.
Regime colonial. A mineração do ouro decaiu rapidamente, sucedendo-lhe, antes de meados do século XVI, a lavoura da cana-de-açúcar, que não chegou a ter grandes proporções. A expansão espanhola no continente, principalmente no México e Peru, prejudicou o povoamento de Porto Rico, como ocorreu também em Santo Domingo e Cuba. O interesse estratégico do porto de San Juan, em vista da pirataria e do corso dos franceses, ingleses e holandeses no mar das Antilhas, levou a Espanha a fortificá-lo poderosamente. Em 1598 a cidade foi tomada efemeramente por George de Clifford e em 1625 incendiada por Bowdoin Hendrik, que não conseguiu, porém, tomar El Morro, a principal fortaleza.
Até o último terço do século XVIII, os porto-riquenhos viveram principalmente do contrabando de ouro, carne, açúcar, fumo e gengibre com as Antilhas não-espanholas e com flibusteiros. De 1765 a 1800, a nova política econômica dos Bourbons espanhóis e a insurreição negra na parte francesa de Santo Domingo favoreceram o desenvolvimento de Porto Rico, cuja população triplicou. O incremento da produção do açúcar motivou a importação de alguns milhares de escravos. O café, introduzido em 1736, tornou-se importante produto de exportação.
Em todo o século XIX o regime espanhol em Porto Rico foi o reflexo da política metropolitana, com alternância de liberais e conservadores no poder. Em 1868, uma revolta dos liberais foi violentamente debelada. A primeira república espanhola, de 1868 a 1874, anistiou os presos e aboliu a escravidão. Em 1897, preocupado com a iminente intervenção dos Estados Unidos em Cuba, o governo espanhol concedeu-lhe autonomia, como a Porto Rico. Esta, contudo, não chegou a funcionar, porque irrompeu a guerra entre os Estados Unidos e a Espanha. Após breve resistência, Porto Rico foi ocupada por forças americanas.
Anexação aos Estados Unidos. Em 1900, o Congresso americano elaborou a Lei Foraker, pela qual o poder político permaneceu em mãos de funcionários civis da potência ocupante. Em 2 de março de 1917 entrou em vigor a Lei Jones, que declarava Porto Rico território dos Estados Unidos, "organizado mas não-incorporado", e concedia a nacionalidade americana aos porto-riquenhos. O governo interior da ilha organizava-se democraticamente, mas o governador e outros altos funcionários continuavam sendo designados pelo presidente dos Estados Unidos.
As primeiras décadas de governo americano  caracterizaram-se por uma agressão profunda à identidade cultural dos porto-riquenhos. Procurou-se,  a começar pelo aspecto idiomático, assimilá-los aos cidadãos do continente. A economia local passou a ser regida por grandes companhias americanas. A produção agrária especializou-se na cana-de-açúcar, que tomou o lugar dos produtos alimentares de consumo interno e de café para exportação.
Em 1950 foi submetida à aprovação do povo porto-riquenho uma série de emendas à lei que regulava as relações entre o governo federal e o da ilha. Uma vez aprovadas, permitiram a elaboração de uma constituição pelos próprios porto-riquenhos. Após sancionada pelo povo e pelo Congresso, a constituição de Porto Rico entrou em vigor em 25 de julho de 1952.
No longo período de governo do Partido Popular Democrático (PPD), ocorreu grande transformação na ilha. Da monocultura açucareira passou-se a uma industrialização progressiva, embora as relações de dependência econômica para com os Estados Unidos se fizessem ainda mais estreitas. A renda dos porto-riquenhos aumentou consideravelmente e a população concentrou-se nas cidades. A economia da ilha deixou de ser agrária para transformar-se em industrial, embora com graves desequilíbrios e em situação de dependência.
Na década de 1960, o Havaí e o Alasca foram transformados em estados federados dos Estados Unidos, o que reforçou o setor da opinião porto-riquenho favorável à integração plena. Em contrapartida, a revolução castrista na vizinha Cuba foi vista com simpatia por muitos porto-riquenhos e originou uma onda de nacionalismo e separatismo.

Em 1967 realizou-se um plebiscito para determinar a opinião majoritária na ilha. Os favoráveis à independência pregaram a abstenção. Os partidários  do estado livre associado somaram mais de sessenta por cento dos votos, contra 39% dos favoráveis à transformação de Porto Rico em um estado a mais da União. Num novo referendo, realizado em novembro de 1993, 48% do eleitorado votou pela manutenção da situação vigente, 46% preferiram a incorporação aos Estados Unidos e 4% optaram pela independência.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

GUERRA NÓRDICA DOS SETE ANOS

A Guerra Nórdica dos Sete Anos foi uma guerra entre a Suécia  e uma coalizão da Dinamarca – Noruega, Lubeck (uma cidade ao norte da Alemanha) e a Republica das Duas Nações (uma união do Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia) que ocorreu em 1563 a 1570. A luta foi marcada pela guerra só terminar assim que o exército dos envolvidos estivessem atenuados e o numero de baixa (ou morte) tivesse muito baixas. Já o acordo de paz aconteceu da maneira que nenhum dos envolvidos sairia perdendo, ou seja, é como se o conflito tivesse terminado empatado.
 O inicio da Guerra teria sido justamente atribuído ao fato do descontentamento da Dinamarca em relação a dissolução da União de Kalmar (foi uma série de relações que acabaram proporcionando a união de três reinos: a Dinamarca, Noruega, e a Suécia). Já a Suécia não via isso como o motivo principal do conflito. Para eles a Dinamarca continuava a reivindicar a posse, ou o controle sob a Suécia.
 Toda essa discussão criaram um considerável desgaste entre as relações desses países e a guerra foi inevitável. O conflito é conhecido por ter sido muito cruel, nele podemos ver um verdadeiro massacre. Além de um massacre das guarnições militares, podemos encontrar também vários incêndios em plantações, casas, palácios, e até mesmo catedrais, envenenamento de água, e matança de muitas criações de gado.
 Os exércitos de ambos países estavam exaustos, e foi justamente isso que levou a negociação direta para que a paz fosse estabelecida. Em 1570 uma reunião para negociar a paz foi iniciada em Stettin e a paz foi conseguida finalmente em treze de dezembro de 1570.
 O rei da Sueco devolveu para a Noruega as suas conquistas de Skane, Halland, Blekinge e Gotlan. Além disso os dinamarqueses também desistiram de reivindicar a posse que eles tiveram um dia sobre a Suécia. Podemos citar também que a União de Kalmar, tão adorada e questionada pela sua dissolução pela Dinamarca, foi extinta de vez.
 Muitos autores consideram como algumas consequências mais significativas a esses conflitos o fato da Suécia, a partir dele, dar inicio ao processo de formação de um exercito permanente e extremamente forte. Esse conflito junto com outros em que a Suécia se envolveu durante esse período fez com que o Estado sueco aumentasse muito a sua capacidade militar, fazendo até mesmo que o exercito sueco se transformasse na maior força militar da Europa setentrional.
Pedro Augusto Rezende Rodrigues