quarta-feira, 8 de outubro de 2014

HISTÓRIA DE PORTO RICO

Ligado aos Estados Unidos por múltiplos laços de natureza econômica e política, Porto Rico é uma das terras de mais rica história nas Américas e conserva vivas as tradições de seus antigos colonizadores espanhóis.
O Estado Livre Associado de Porto Rico é a mais oriental e menos extensa das Grandes Antilhas. Encontra-se a leste de Santo Domingo (a antiga  Hispaniola), de que se separa pelo canal da Mona, de cerca de 130km de largura, e a oeste das ilhas Virgens, a mais próxima das pequenas Antilhas. Com uma superfície de 9.104km2, a ilha, que apresenta uma forma aproximadamente retangular, tem 180km entre ponta Puerca, no extremo leste, e ponta Higüero, no extremo oeste, e cerca de sessenta quilômetros de largura média no sentido norte-sul.
As costas, que totalizam 1.126km, são em geral baixas e pouco recortadas, apesar do caráter predominantemente montanhoso da ilha. O litoral setentrional é banhado pelo oceano Atlântico e o meridional pelo mar do Caribe (ou das Antilhas). Paralela à costa atlântica, e próxima a esta, estende-se a fossa oceânica de Porto Rico, que alcança mais de nove mil metros de profundidade.
Pertencem administrativamente ao estado porto-riquenho as ilhas próximas de Mona, Vieques e Culebra, situadas diante de suas costas orientais, e Mona, no canal de mesmo nome, entre Porto Rico e Santo Domingo, além de outras ilhotas menores, em geral desabitadas (Monito, Desecheo, Caja de los Muertos e Cayo Berberio). Sua capital é San Juan.
Porto Rico
Antes da chegada dos espanhóis, Porto Rico era habitada por índios aruaques, O nome nativo da ilha era Borinquén, ocasionalmente revivido em poesias e letras de músicas no século XX.
Descoberta e conquista. Em sua segunda viagem, Colombo descobriu a ilha que chamou de San Juan Bautista, ou Juana, e dela tomou posse em novembro de 1493, em nome dos reis católicos da Espanha. A conquista só começou em 1508, com Juan Ponce de León, que fundou San Juan de Puerto Rico. Os índios foram distribuídos pelos conquistadores em encomiendas (prestação obrigatória de trabalho), para fornecer alimento e ouro de lavagem.
Em 1511, foi esmagada a primeira rebelião indígena e já em 1518 importaram-se escravos negros para substituir a mão-de-obra dos índios, dizimada pelos maus-tratos ou pelas epidemias trazidas pelos espanhóis.
Regime colonial. A mineração do ouro decaiu rapidamente, sucedendo-lhe, antes de meados do século XVI, a lavoura da cana-de-açúcar, que não chegou a ter grandes proporções. A expansão espanhola no continente, principalmente no México e Peru, prejudicou o povoamento de Porto Rico, como ocorreu também em Santo Domingo e Cuba. O interesse estratégico do porto de San Juan, em vista da pirataria e do corso dos franceses, ingleses e holandeses no mar das Antilhas, levou a Espanha a fortificá-lo poderosamente. Em 1598 a cidade foi tomada efemeramente por George de Clifford e em 1625 incendiada por Bowdoin Hendrik, que não conseguiu, porém, tomar El Morro, a principal fortaleza.
Até o último terço do século XVIII, os porto-riquenhos viveram principalmente do contrabando de ouro, carne, açúcar, fumo e gengibre com as Antilhas não-espanholas e com flibusteiros. De 1765 a 1800, a nova política econômica dos Bourbons espanhóis e a insurreição negra na parte francesa de Santo Domingo favoreceram o desenvolvimento de Porto Rico, cuja população triplicou. O incremento da produção do açúcar motivou a importação de alguns milhares de escravos. O café, introduzido em 1736, tornou-se importante produto de exportação.
Em todo o século XIX o regime espanhol em Porto Rico foi o reflexo da política metropolitana, com alternância de liberais e conservadores no poder. Em 1868, uma revolta dos liberais foi violentamente debelada. A primeira república espanhola, de 1868 a 1874, anistiou os presos e aboliu a escravidão. Em 1897, preocupado com a iminente intervenção dos Estados Unidos em Cuba, o governo espanhol concedeu-lhe autonomia, como a Porto Rico. Esta, contudo, não chegou a funcionar, porque irrompeu a guerra entre os Estados Unidos e a Espanha. Após breve resistência, Porto Rico foi ocupada por forças americanas.
Anexação aos Estados Unidos. Em 1900, o Congresso americano elaborou a Lei Foraker, pela qual o poder político permaneceu em mãos de funcionários civis da potência ocupante. Em 2 de março de 1917 entrou em vigor a Lei Jones, que declarava Porto Rico território dos Estados Unidos, "organizado mas não-incorporado", e concedia a nacionalidade americana aos porto-riquenhos. O governo interior da ilha organizava-se democraticamente, mas o governador e outros altos funcionários continuavam sendo designados pelo presidente dos Estados Unidos.
As primeiras décadas de governo americano  caracterizaram-se por uma agressão profunda à identidade cultural dos porto-riquenhos. Procurou-se,  a começar pelo aspecto idiomático, assimilá-los aos cidadãos do continente. A economia local passou a ser regida por grandes companhias americanas. A produção agrária especializou-se na cana-de-açúcar, que tomou o lugar dos produtos alimentares de consumo interno e de café para exportação.
Em 1950 foi submetida à aprovação do povo porto-riquenho uma série de emendas à lei que regulava as relações entre o governo federal e o da ilha. Uma vez aprovadas, permitiram a elaboração de uma constituição pelos próprios porto-riquenhos. Após sancionada pelo povo e pelo Congresso, a constituição de Porto Rico entrou em vigor em 25 de julho de 1952.
No longo período de governo do Partido Popular Democrático (PPD), ocorreu grande transformação na ilha. Da monocultura açucareira passou-se a uma industrialização progressiva, embora as relações de dependência econômica para com os Estados Unidos se fizessem ainda mais estreitas. A renda dos porto-riquenhos aumentou consideravelmente e a população concentrou-se nas cidades. A economia da ilha deixou de ser agrária para transformar-se em industrial, embora com graves desequilíbrios e em situação de dependência.
Na década de 1960, o Havaí e o Alasca foram transformados em estados federados dos Estados Unidos, o que reforçou o setor da opinião porto-riquenho favorável à integração plena. Em contrapartida, a revolução castrista na vizinha Cuba foi vista com simpatia por muitos porto-riquenhos e originou uma onda de nacionalismo e separatismo.

Em 1967 realizou-se um plebiscito para determinar a opinião majoritária na ilha. Os favoráveis à independência pregaram a abstenção. Os partidários  do estado livre associado somaram mais de sessenta por cento dos votos, contra 39% dos favoráveis à transformação de Porto Rico em um estado a mais da União. Num novo referendo, realizado em novembro de 1993, 48% do eleitorado votou pela manutenção da situação vigente, 46% preferiram a incorporação aos Estados Unidos e 4% optaram pela independência.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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