quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DE EL SALVADOR

Menor e mais densamente povoada república da América Central, El Salvador é o único país centro-americano que não é banhado pelo mar das Antilhas.
Com uma superfície de 21.041km2, El Salvador limita-se a norte e a leste com Honduras, ao sul com o oceano Pacífico, a oeste e noroeste com a Guatemala e a sudoeste com o golfo de Fonseca, que penetra também em Honduras e Nicarágua. Parte da linha fronteiriça com Honduras permanece historicamente mal delimitada, o que ocasionou choques fronteiriços e até guerras, como a de 1969.
Embora de origem desconhecida, os grupos indígenas que habitaram o território hoje correspondente a El Salvador, possuíam civilização avançada. Os pipiles, o mais importante dos três grupos que habitaram a região no século XV, tinham sua capital em Cuzcatlán. Em 1524, os espanhóis chegaram ao país, comandados por Pedro Alvarado. Após ocuparem Cuzcatlán por breve período, fundaram San Salvador em 1525 e subjugaram os pipiles. San Salvador integrou a província da Guatemala, fundada a leste do rio Lempa, em 1530. Só foi elevada à categoria de intendência em 1786, subordinada ao governo da Guatemala.
Independência. San Salvador desempenhou importante papel no rápido processo de evolução política por que passou a América Central entre 1811 e 1840. O primeiro movimento de desafio à dominação espanhola na região ocorreu na intendência de San Salvador, liderado pelo padre José Matias Delgado e seu sobrinho Manuel Arce, em novembro de 1811. Essa tentativa e outra verificada em 1814 fracassaram. A proclamação de independência da Guatemala, em 15 de setembro de 1821, suscitou a adesão de El Salvador. Mas em fevereiro de 1823, as forças mexicanas lideradas por Agustín de Iturbide ocuparam o país. Poucos meses depois ocorreu a queda de Iturbide, e a 11 de julho do mesmo ano foi proclamada, na Guatemala, a independência das Províncias Unidas da América Central, que teve Arce como seu primeiro presidente. Por duas vezes, em 1832 e 1833, El Salvador tentou separar-se. A união foi extinta em 1839, e Francisco Morazán, segundo e último presidente, teve de abandonar o país.
República. Em janeiro de 1841 foi proclamada a república de El Salvador, e durante mais de quarenta anos a instabilidade política predominou no país, com lutas entre conservadores e liberais. As agitações diminuíram durante as administrações de Francisco Durante (1836-1871) e de Rafael Zaldívar (1876-1885). Entre os anos de 1885 e 1931, a sucessão presidencial tornou-se mais regular, em parte devido à estabilidade econômica proporcionada pelo aumento das exportações de café, e também em decorrência da menor freqüência de conflitos na região. O país jamais conheceu a democracia, pois cada presidente escolhia seu sucessor entre parentes e amigos.
Ditaduras militares. Após a presidência de Pío Romero Bosque (1927-1931), nenhum candidato obteve a maioria dos votos populares para se tornar seu sucessor. O Congresso então escolheu Arturo Araujo, logo deposto por um golpe militar chefiado por Maximiliano Hernández Martínez, que assumiu o poder e governou despoticamente e realizou execuções em massa. O ditador se manteve no poder até 1944, e adotou medidas enérgicas, como o estabelecimento de novo sistema monetário, organização de um banco nacional, controle estatal da comercialização do café e complementação da rodovia Pan-Americana.
Uma revolta popular, em 1944, forçou a realização de eleições, com a vitória de Salvador Castañeda de Castro, que, empossado em março de 1945, governou até 1948, sendo deposto por uma junta militar. Foi criado um partido oficial, o Partido Revolucionário de Unificação Democrática, que elegeu o presidente seguinte, o major Óscar Osorio, que governou de 1950 a 1956, e proporcionou ao país uma fase de considerável progresso (hidrelétrica do rio Lempa, asfaltamento da todovia Pan-Americana). Osorio não teve dificuldade em fazer seu sucessor, o tenente-coronel José María Lemus, que continuou a política do antecessor. Foi, entretanto, derrubado por novo golpe militar, em outubro de 1960 e substituído por uma junta militar, a qual, em janeiro de 1961, cedeu lugar a outra junta. Esta pôs na ilegalidade os partidos de orientação esquerdista, e criou, em 1962, uma constituinte em que a totalidade dos deputados pertencia ao novo Partido de Conciliação Nacional. Foi eleito ficticiamente um novo presidente, Julio Adalberto Rivera, para o período 1962-1967.
Guerra do futebol e a guerra civil. A superpopulação de El Salvador obrigou mais de 300.000 pessoas a emigrarem ao longo das décadas de 1950 e 1960 para a vizinha República de Honduras. Quando o governo deste país promoveu um programa de reforma agrária em 1969, muitos imigrantes, obrigados a abandonar as terras que haviam ocupado, tiveram que retornar a El Salvador. A tensão entre as populações dos dois países culminou com um grave conflito, que tomou como pretexto uma partida de futebol entre as seleções das duas nações. Somente depois da chamada "guerra do futebol", responsável por mais de cinco mil mortes, a Organização dos Estados Americanos (OEA) conseguiu uma trégua.
Em 1972, mesmo sob acusação de fraude, o coronel Arturo Armando Molina, do PCN, foi eleito presidente e empossado. Governou até 1977, quando o partido novamente venceu as eleições com Carlos Romero Pena. A partir de 1979 intensificaram-se os movimentos guerrilheiros de esquerda, os atos de repressão do governo e a campanha de terror patrocinada pela direita. Uma junta cívico-militar assumiu o poder, mas não foi capaz de controlar a situação. Em março de 1980, quando rezava uma missa, foi assassinado o bispo de San Salvador, Óscar Arnulfo Romero, uma das 22.000 vítimas da violência política naquele ano. Em dezembro, com apoio dos democrata-cristãos, de alguns setores das forças armadas e dos Estados Unidos, foi eleito presidente José Napoleón Duarte, reeleito em 1982 e em 1984. Em 1987, firmou um plano de paz para a região, assinado por outros presidentes de países vizinhos.

Em 1989 foi eleito presidente o direitista Alfredo Cristiani, da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), o qual propôs negociações com a guerrilha da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional. Em 31 de dezembro de 1991 foi assinado em Nova York um documento que pôs fim ao conflito e determinou uma série de medidas de reconstrução e recuperação.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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