quinta-feira, 23 de abril de 2015

HACIENDAS NA AMÉRICA HISPÂNICA



Além do sistema de exploração de metais que caracterizou o início da montagem da colonização espanhola na América, cujos modelos principais foram os repartimientos e as encomiendas, houve também a montagem do esquema da plantation, isto é, a monocultura agrícola em grandes extensões de terra que ficou conhecida como hacienda.
 Essas monoculturas geralmente se centravam em produtos tropicais e semitropicais, como o milho e o açúcar. As principais características das haciendas nas regiões da América hispânica foram o trabalho compulsório, escravo, e o caráter autoritário do proprietário com relação à administração de sua hacienda. Esse sistema apresentou muitas semelhanças com os engenhos brasileiros. Tal como estes, as haciendas atendiam à demanda por produtos agrícolas e alimentavam o comércio dentro e fora do continente americano. Entretanto, as haciendas possuíam uma relação mais forte com o comércio intercolonial, isto é, entre as próprias colônias espanholas, do que com a metrópole.
 Além disso, o escravismo indígena foi empregado em maior escala que o africano, com exceção de Cuba, que teve forte presença de escravos negros. O pesquisador Eduardo Neuman, em trabalho apresentado na Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC), assim discorre sobre a presença do trabalho compulsório indígena nas haciendas:
 “As atividades agropecuárias dependiam igualmente do trabalho indígena e dos mestiços. Diante da hispanização dos campos, gerada pelas necessidades agrárias da colonização, preponderou a hacienda. Uma propriedade rural de caráter autossuficiente, mas voltada a abastecer os centros mineradores e as cidades, cuja obtenção de mão de obra poderia proceder de diferentes sistemas de recrutamento. A hacienda atraía, principalmente, os indígenas afastados de suas comunidades ou desprovidos de terras, os quais ficaram conhecidos como peão residente ou acasillado. Em caráter complementar às tarefas realizadas nas propriedades rurais funcionavam os obrajes, estabelecimentos destinados à fabricação de tecidos.” (Neuman, Eduardo. Trabalho na América espanhola: salário, servidão e escravidão. ANPHLAC)
 Ademais, as relações tecidas entre os sistemas de exploração de mineração com os proprietários de terras que controlavam o processo das haciendas produziram a fundação das oligarquias regionais na América hispânica. Uma instância dependia da outra, seja por conta da troca de matéria-prima, seja por conta da oferta de crédito, como bem acentua o pesquisador Leslie Bethell:
 “A fundação dessa oligarquia representou a fusão da grande propriedade rural com o monopólio do capital ganho no setor mineiro e no comercial. O crédito tornou-se disponível aos donos de grandes propriedades de terra por meio de contínuas alianças matrimoniais que uniam seus filhos a mineiros e comerciantes ricos, e por intermédio da própria terra acumulada.” (Bethell, Leslie. A América colonial, vol. VII, p. 185.)

terça-feira, 14 de abril de 2015

COMO O ANTIBIÓTICO MUDOU O MUNDO

Em 24 horas, uma bactéria se reproduz 16 milhões de vezes. É um ritmo diabólico. Não à toa, os micróbios por trás das quatro grandes epidemias (peste negra, cólera, tuberculose e tifo) mataram mais de 1 bilhão de humanos. Elas estavam ganhando de goleada até que, num dia de 1928, o biólogo escocês Alexander Fleming se esqueceu de limpar o laboratório. Quando voltou, notou um fungo crescendo numa placa - e matando as bactérias que ele usava em experiências. E o que era desleixo virou a descoberta do século: esse fungo, do gênero penicillum, foi o primeiro antibiótico. Hoje, damos antibiótico até para os bichos (nos EUA, 80% dele é ingerido por gado, aves e porcos de corte). Mas a lua-de-mel pode estar perto do fim. As bactérias estão criando resistência aos antibióticos, e a indústria farmacêutica não consegue criar novos - o ritmo de invenções caiu 70% nos últimos 20 anos. A esperança são os "antibióticos virais", que já estão em testes - e são feitos de vírus que matam bactérias.(Camila Maccari - Revista SuperInteressante, abril de 2014).

segunda-feira, 13 de abril de 2015

ARMAS SECRETAS CRIADAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL SÃO REVELADAS



Muitas invenções parecem ter saído de filmes de ficção científica, mas, acredite se quiser, foram criadas há mais de setenta anos, ainda durante o governo do premiê Winston Churchill, na Segunda Guerra Mundial, que acreditava na importância do desenvolvimento tecnológico e científico para conflitos armados. Algumas dessas “armas” não saíram do papel, outras foram criadas, mas não chegaram a funcionar na prática. Já outras, foram peça-chave para o desenrolar da grande guerra. As informações são do Daily Mail.Veja algumas dessas invenções “loucas” que foram criadas no chamado Laboratório do Ministério da Defesa britânico chamado 'Toyshop de Churchill’. 


Panjandrum: rodas gigantes cobertas de foguetes
A “Muralha do Atlântico” era uma fortificação robusta construída depois de 1942 por nazistas para se defender das invasões dos Aliados durante a guerra. Por causa deste orbstáculo, os cientistas do laboratório britânico buscaram criar algo que fosse suficientemente forte para que pudesse quebrar a parede e permitir que um veículo entrasse. Assim foi inventado o “Panjandrum”, composta de duas grandes rodas de madeira que levavam uma tonelada de explosivos entre eles, dentro do eixo.
A grande arma pesava quase dois mil quilos e poderia alcançar 97 km/h: algo que se revelou desastroso durante os testes finais, não sendo utilizado. 


“Lápis de tempo”
Também conhecidos como "lápis de tempo” ou “detonador lápis” foram objetos criados sob o governo de Churchill – e são como espoletas feitas para cronometar o tempo dentro de um detonador ou fusível de segurança. São do tamanho e formato de um lápis, aproximadamente, por isso receberam este nome.
No lápis de tempo há um frasco de cloreto de cobre corrosivo na extremidade. Eles eram inseridos em explosivos e para detonar uma bomba, podendo atrasar a explosão entre 10 minutos e 24 horas.
Para ativar, o frasco tinha de ser esmagado de modo que o cloreto de cobre começasse a dissolver um fio de metal, que, ao ser rompido, lançaria pelo impulso de uma mola que levaria o tubo oco a acertar a espoleta na outra extremidade do detonador.
Um destes detonadores foi usado na trama de 20 de julho de 1944, uma tentativa de matar Adolf Hitler. 


"Torpedo humano"
A ideia de era capturar explosivos inimigos, atraindo-os com um imã e, durante o governo de Churchill, seres humanos foram usados como meio de transporte de imãs poderosos no fundo do mar, que atraíam até dois quilogramas de explosivo de navios inimigos, capazes até de perfurar um grande buraco no casco.
 Minas subaquáticas eram, então, anexadas aos navios, causando danos devastadores quando explodiam.
Na Segunda Guerra, sete navios japoneses foram afundados ou desabilitados por comandos por essas minas, em 1943. 



Projeto Harbakuk: porta-aviões em iceberg gigante
Aço e alumínio eram difíceis de conseguir durante a guerra, por isso, quando inventor Geoffrey Pyke pensava em uma forma de proteger comboios do Atlântico que estavam fora do alcance de aviões, ele percebeu que a resposta era gelo: o cientista pensou em criar enormes flotilhas esculpidas em icebergs que poderia abrigar aeronaves e fornecer uma pista de decolagem.
 Como icebergs tendem a rolar, Pyke imaginou uma combinação de madeira e gelo, o que ele chamou de “pykrete” – que não iria afundar, seria muito mais forte do que o gelo, e não iria quebrar.  No entanto, o projeto não saiu do papel, já que houve uma série de problemas de engenharia – sendo descoberta a necessidade da utilização de um pouco de aço. 
 Fonte:http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/armas-secretas-criadas-na-segunda-guerra-sao-reveladas