quinta-feira, 19 de maio de 2016

Waterloo: "eles não aprenderam nada e não esqueceram nada"

A batalha travada em 18 de junho de 1815 logo ao sul de Waterloo, no que é hoje a Bélgica, tornou-se o combate decisivo da campanha final de uma guerra que havia dilacerado a Europa por 23 anos. A luta se espalhara pelo mundo à medida que os Estados combatentes buscavam obter vantagens que lhes escapavam na Europa. O balanço das mortes desses longos anos de guerra jamais será conhecido com precisão. Sem dúvida, milhões morreram como resultado direto dos combates e milhões mais devido às fomes e às epidemias que seguiam os exércitos e as perturbações que estes causavam. Economicamente, a Europa foi deixada prostrada – com as dificuldades e o desemprego agravando a miséria própria de todas as guerras.

O conflito fora desencadeado pela Revolução Francesa, que teve início em 1789. Quando a Revolução irrompeu, foi vista basicamente como uma questão interna da França. O governo do rei Luís XVI era notoriamente corrupto e ineficiente, e as injustiças sociais do regime, bem conhecidas. Muitas pessoas por toda a Europa – até mesmo alguns monarcas – saudaram os estágios iniciais da Revolução, vendo nela uma reforma necessária de um sistema praticamente sem salvação que poderia trazer estabilidade a um regime vacilante.

No entanto, a natureza cada vez mais violenta da revolução e as reivindicações abrangentes de direitos e liberdades universais feitas pelos revolucionários mais extremistas logo começaram a preocupar os monarcas mais autocráticos da Europa. Em agosto de 1791, Frederico Guilherme II da Prússia e Leopoldo da Áustria lançaram a Declaração de Pillnitz. Essa proclamação, redigida em termos vagos, pretendia reafirmar a base teórica do poder monárquico – em parte, para dar alguma ajuda diplomática a Luís XVI, mas basicamente para advertir os reformadores, nos próprios reinos dos governantes de que, se a reforma era uma possibilidade, a revolução não.

De toda forma, o governo francês interpretou a declaração como um aviso de que a Prússia e a Áustria recorreriam à força militar para restaurar o governo ditatorial de Luís XVI na França. Decidindo agir primeiro, a França declarou guerra à Áustria em abril de 1792. A Prússia correu em auxílio da Áustria, enquanto o reino do Piemonte, no norte da Itália, se aliou a ambas, com a expectativa de se apoderar de territórios fronteiriços disputados com os vizinhos.

As campanhas iniciais terminaram num impasse. O governo francês tornou-se mais extremista, abolindo a monarquia e executando Luís XVI. As ideias revolucionárias se espalharam rapidamente por toda a Europa à medida que as populações procuraram se libertar dos grilhões da servidão e gozar de liberdades até então inimagináveis – como as de não ir à igreja todos os domingos, ir a julgamento antes de ser lançado na prisão ou ter a liberdade de iniciar um negócio sem ter de pagar valores arbitrários a um funcionário do governo pela permissão. Alguns monarcas responderam com o encorajamento às reformas, outros, com a repressão – mas os franceses invariavelmente saudaram e estimularam tais movimentos revolucionários. A Europa estava mergulhada numa onda de agitações sociais, legais e culturais tão perturbadoras quanto as guerras que envolveriam o continente.


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